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BREVE RESENHA HISTÓRICA
FUNDAÇÃOCom a denominação de Associação do Corpo de Bombeiros Voluntários de Salvação Pública de Câmara de Lobos, foi fundada em 13 de Agosto de 1949 aquela que é hoje a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Câmara de Lobos. No entanto, as tentativas para criar um serviço público de protecção civil em Câmara de Lobos remontam aos finais do século XIX, pois já em Abril de 1889 a imprensa noticiava que a Câmara Municipal havia encarregue Terra Viana, um instrutor dos Bombeiros Voluntários Madeirenses de adquirir uma bomba da marca Jauch e mais alguns materiais de incêndios, a fim de ser organizada, na sede do concelho, uma companhia de bombeiros que seria instruída por um dos novos elementos do corpo de bombeiros funchalenses. Em 1890 a Câmara Municipal de Câmara de Lobos adquire a sua primeira bomba contra incêndios, bomba essa que, em Novembro de 1891, se encontrava na Alfândega no Funchal a aguardar despacho. Apesar da Câmara se encontrar detentora da bomba, desde Novembro de 1891, só muito mais tarde, em Maio de 1896 é que é deliberado organizar o serviço de incêndios. Para o efeito, é mandado construir um depósito para água destinado ao serviço de incêndios, são encomendados os necessários aparelhos e são nomeados para o corpo de bombeiros, António Gonçalves Fragoeiro, António dos Santos, Pedro Figueira, Gregório da Paixão Oliveira, José Gonçalves, Manuel Vieira Pita e como comandante Frederico Augusto da Silva Braga. Ainda que se desconhecendo o local onde terá ficado a bomba armazenada, sabe-se que, em Outubro de 1897, a Câmara haveria de autorizar o alargamento da porta de uma das várias lojas existentes no rés-do-chão do edifício dos paços do concelho, mais precisamente a que ostentava o número 3 e situada na rua Serpa Pinto, para que, permitindo a entrada da bomba, lhe pudesse servir de depósito. No entanto, notícias vindas posteriormente a público, leva-nos a admitir que esta obra não teria sido realizada e a bomba teria continuado votada ao abandono, o mesmo provavelmente acontecendo com o corpo de bombeiros que a Câmara deliberou organizar, se é que alguma vez foi efectivamente organizado. Com efeito, não só encontramos, em 1899, a bomba armazenada numa outra loja do rés-do-chão do edifício dos paços do concelho, que não a 3, como, antes em Outubro de 1898 estava-se preparando um nicho para a bomba de serviço de incêndios que estava condenada ao abandono e, no ano seguinte, ou seja, em Janeiro de 1899, justificando também o mesmo motivo, Duarte Montez, bombeiro voluntário do Funchal, mas residente em Câmara de Lobos, oferece-se à vereação para organizar, nesta localidade, uma companhia de bombeiros voluntários e pedindo para que a Câmara colocasse à sua disposição a bomba e mais material de incêndio pertencentes ao município. Passados cerca de 50 anos, a 21 de Agosto de 1946, a Câmara Municipal decide atribuir uma verba de 200 mil escudos para a aquisição de material e equipamentos e ainda a instalação dos serviços de prevenção e extinção de incêndios. Apesar de em Dezembro do mesmo ano já se encontrarem abertas inscrições para bombeiros, só a 13 de Agosto de 1949, data da outorga dos seus estatutos, é que foi definitivamente fundada a Associação, não sob a forma de serviço municipal mas sim como uma entidade autónoma e com base no voluntariado.
No dia 29 de Outubro de 1949 os estatutos merecem despacho favorável do Governados Civil do Distrito. A 28 de Dezembro desse mesmo ano realiza-se a primeira Assembleia Geral de sócios fundadores, tendo sido eleitos o Dr. Vasco Reis Gonçalves para a presidência da Assembleia Geral e João Crisóstomo Caires Gonçalves para a presidência da Direcção. Empossados no dia 2 de Janeiro de 1950, estes corpos directivos começaram logo a trabalhar no sentido de dotarem a corporação, não só dos meios necessários ao combate a incêndios como do espaço físico que lhe servisse de instalação e quartel. Assim, com a colaboração do Conselho Nacional de Incêndios são adquiridos os primeiros materiais, fazendo parte deles uma moto-bomba rebocável da marca ASPI com um débito de 800 litros por minuto e de 250 metros de mangueira. PRIMEIRAS INSTALAÇÕESA Câmara Municipal de Câmara de Lobos, em resposta a uma solicitação da Direcção da Associação datada de 14 de Fevereiro de 1951, disponibiliza uma das lojas existentes no rés-do-chão dos Paços do Concelho, à Rua da Nossa Senhora da Conceição, para aí ser instalado o quartel dos bombeiros. O pedido de cedência de uma sala na escola da Vila para servir de sede da Associação, feito no mesmo ofício de 14 de Fevereiro, seria indeferido pela autarquia. PRIMEIRA ESCOLA DE BOMBEIROSAinda que nos finais de 1950 já se tivessem alistado 20 indivíduos e se previsse para breve o início da instrução da primeira escola, esta só deverá ter ocorrido em finais de 1951 ou princípios de 1952. De qualquer forma, é sabido que a 27 de Julho de 1952 têm lugar no sítio da Terra Chã os exercícios finais da primeira escola do Corpo de Bombeiros, num edifício que na década de 30 havia sido alvo de um incêndio e, por isso mesmo, conhecido por Casa Ardida. Com a realização destes exercícios a Corporação de Bombeiros entrava oficialmente em plena actividade. Três dias depois é nomeado para 1° Comandante-Médico da Corporação o Dr. Vasco Reis Gonçalves e, no dia 2 de Maio de 1953, o Reverendo Padre Abel Ferreira ficava com a responsabilidade de Capelão. PRIMEIRA VIATURAPor ocasião da realização dos exercícios finais do primeiro corpo de bombeiros, notou-se que a falta de uma viatura para transporte da moto-bomba constituía o maior obstáculo a uma actuação com o grau de eficácia exigível. Assim, e depois de algumas dificuldades na obtenção de apoios da Direcção Geral de Administração Política e Civil e do Conselho Nacional de Incêndios, a direcção da Associação, na sua reunião de 14 de Março de 1953 delibera adquirir um Jeep Land-Rover pela quantia de 85 mil escudos, verba integralmente adiantada por António Pinto Abreu. Um ano depois, quando ainda apenas estavam pagos 13 mil escudos, António Abru passa a viatura para o nome da Associação, ao serviço de quem sempre estivera desde a aquisição. TRANSPORTE DE SINISTRADOS E DOENTESNa reunião de 28 de Fevereiro de 1955 é decidido proceder à aquisição da primeira viatura para o transporte de sinistrados, tendo-se optado por um automóvel da marca Internacional ao preço de 18 mil escudos, o qual foi adaptado a ambulância. Em 31 de Outubro de 1962, depois de feito abate da primeira ambulância, é feita a adjudicação de um veículo Opel Olímpia 1700, pelo valor de 95 contos, destinado à mesma função. Em finais da década de 70, a freguesia do Estreito de Câmara de Lobos passou a dispôr de uma viatura destinada ao transporte de doentes, propriedade da Câmara Municipal. AMPLIAÇÃO DO QUARTELCom a dinâmica que foi adquirindo, cedo as instalações da Corporação se tornam exíguas, pelo que se tomou a iniciativa de proceder a obras de adaptação, inauguradas a 31 de Maio de 1953. O quartel inaugurado dispunha de gabinete do comandante, dormitórios e balneários e parque de viaturas e materiais. Em 1961, a Corporação volta a ver ampliadas as suas instalações através da cedência da loja contígua ao quartel, na rua Serpa Pinto, n°1. O 25 DE ABRIL E SUAS CONSEQUÊNCIASA revolta militar ocorrida em Portugal em 1974 e consequentes alterações político-sociais empurraram a Associação para os limiares da auto-extinção, visto estarem os seus dirigentes da altura, de uma forma ou outra ligados quer à Câmara quer ao sistema político distituído. A isto, juntar-se-ia a necessidade sentida por parte dos novos responsáveis autárquicos, de rapidamente satisfazerem um sem número de reivindicações e anseios das populações, o que faria relegar para segundo plano outras carências, designadamente as da corporação de bombeiros. Assim, entre meados da década de 70 e os primeiros anos de 80, a Associação deixou de poder assegurar os serviços para que fora criada, embora garantisse, ainda que com alguma irregularidade o transporte de doentes. Só em 1984, quando a autarquia decidiu adjudicar as obras de construção do edifício do mercado e da sede dos bombeiros é que se retomou o espírito que levara à criação da Associação em 1949. A REACTIVAÇÃOOs primeiros passos dados no sentido da reactivação do corpo de bombeiros ocorrem em 1988, constituíndo-se um grupo de trabalho, tendo à cabeça António José Sousa Rocha. No dia 24 de Maio de 1990 é convocada uma Assembleia Geral por forma a serem eleitos os órgãos da Associação. António José Sousa Rocha é eleito presidente da Direcção, João Crisóstomo Caires Gonçalves, filho do antigo presidente da Direcção, é eleito presidente da Assembleia Geral e Aníbal Cristovão de Jesus, bombeiro da primeira escola e antigo ajudante, é eleito presidente do Conselho Fiscal. Através da assinatura de um protocolo, a 25 de Julho de 1990, a Câmara Municipal cede à Associação as instalações sitas à rua da Carreira, n° 11, para onde se transfere o quartel. Em Setembro de 1990 dá-se início à instrução da primeira escola de aspirantes a bombeiro, a qual viria a concluir a sua formação, com apresentação pública dos exercícios finais a 19 de Janeiro de 1991. Contudo, apenas a 12 de Julho de 1991, com a inauguração da sua sede e quartel, a Associação retoma a sua actividade. O corpo passa a dispôr de um serviço de atendimento à população 24 horas por dia, não só no combate a incêndios como no transporte de doentes, situação que nunca antes tinha existido. No dia 3 de Fevereiro de 1994, o Governo Regional de Madeira, através da resolução 70/94, presta homenagem à Associação, declarando-a Instituição de Utilidade Pública. A ACTUALIDADE DOS BVCLCom uma frota de cerca de duas dezenas de viaturas entre ambulâncias e unidades de combate ou apoio no combate a incêndios, um quadro de pessoal permanente de 15 bombeiros (para além de 45 em regime de serviço voluntários), duas unidades de pessoal especializado no resgate de montanha e de socorro a náufragos e uma pequena fanfarra criada em 1997, a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Câmara de Lobos está hoje preparada para prestar serviço à comunidade de reconhecida valia, comprovada e ampliada com diversas intervenções a solicitações de apoio em áreas exteriores aos limites do concelho, a pedido do Serviço Regional de Protecção Civil. DIRIGENTES DOS BVCL:COMANDOAo longo dos seus 50 anos de existência, passaram pelos BVCL como comandantes, António Avelino de Abreu, Gabriel Gregório Nascimento Ornelas, que assumiu o cargo aquando da reactivação, em 1991, em Janeiro de 1999 o Capitão Manuel Rui Nunes e em Julho de 2007 o actual comandante, José Sílvio Freitas. DIRECÇÃOJoão Crisóstomo Gonçalves foi o primeiro presidente da Direcção, tendo-lhe sucedido, a partir de 24 de Maio de 1990, António José de Sousa Rocha e em Janeiro de 2008, Rui Agostinho Gouveia Fernandes. ASSEMBLEIA GERALA presidência da Assembleia Geral foi ocupada pelo Dr. Vasco Reis Gonçalves desde a fundação até 24 de Maio de 1990, quando é substituído por João Crisóstomo Caires Gonçalves. A partir de 1992 assumiu o cargo a seu actual presidente, José António Freitas. CONSELHO FISCALA partir da reactivação o órgão de fiscalização da Associação viria a ser presidido por Aníbal Cristóvão de Jesus, substituído a partir de 1994 por Tiago Tarcísio Teles, seu actual presidente. AS BODAS DE OUROFundada em 1949, a Associação completou em 13 de Agosto de 1999 o seu 50° aniversário. A efeméride justificou um programa de comemorações, o qual se iniciou no dia 13 de Agosto e teve o seu ponto alto a 29 de Outubro. Nota: Nossos agradecimentos ao Dr. Manuel Pedro Freitas pela sua preciosa ajuda na recuperação deste historial. |