3 anos de saudade

     

 

Já se passaram 3 anos

A 29 de Março  JAG  projectou-se para um voo eterno rumo a destino incerto.

Ficamos todos manietados a olhar para o horizonte compenetrados na sua vastidão.

Para trás deixou muitas saudades qual emigrante em busca de novos sonhos, deixando os seus, presos à mágoa da separação.

Há quem encontre na leitura  uma forma de aproximação ao poeta ido. Outros escrevem-lhe.

Aqui ficam alguns testemunhos.

 

M.G.

 
 

 

 

LÁGRIMAS

O amor que nos uniu aqueceu
no suor do Verão e morreu
com as chuvas do Inverno

(JAG)

 

       
 

LACRIMA CHRISTI
ao poeta JAG

 

 

 

Há que se perguntar a Vida

como respirar grandes versos

no sustentar das amizades...

tratar do amarelado e a escuridão nas folhas

Há de se estancar os pontos rubros cor de sangue

Palavras são obras-primas

definidas em um dicionário

que nem sempre coincidem noutro papel

 

Há de se reunir nas ruas do mês da Paixão

com a musicalidade das dissonâncias

de janeiro a dezembro

aparar arestas sob o mesmo teto

antes de se dobrar qualquer esquina...

 

Há de não se perturbar com as identidades no Teatro

a Alegria não desmancha prazeres

na paisagem na construção das Biografias

Há de se notar que poesia

não se perpetua com a assinatura

Poesia, é o crescimento da muda

de uma das plantas ao brotar na mudez

 

Há de se prosseguir o não crer na ditadura

Há de se contestar os milagres

sem homem santo algum entre ladrões

Há de se ler as engrenagens da saudade

nos relógios

inúmeras são as leituras de um Poema

 

Há de se subir ao Infinito sem ser anjo

Há de apagar na Terra

como um sopro de pássaro

Lacrima Christhi sem pretensão...

no pestanejar para uma ou outra estrela

no Céu da solidão.

 

Rosangela_Aliberti

São Paulo, 28.III.08

 

 
 
 
 

 

 
 
Jovial e_terno amigo
Aqui estamos contigo
Gratos por tu seres tanto

Sorri teu olhar decerto
Esse profundo sorriso
Miras-nos do Infinito
Procurando de certeza
Remediar a tristeza
Em que a nossa alma te canta!


    
Maria Petronilho
 
Lisboa, 29/03/2006


Homenagem ao maravilhoso Jag
 

 

 


 

 

Caros amados, 

coloquei em meu site, em homenagem ao grande poeta e maravilhosa pessoa que
foi José António Gonçalves, uma série de quatro poemas (publicados juntos)
que fizemos um ao outro. Convido-os a ler, e apreciar outra vez as letras
daquele que foi um dos melhores poetas portugueses da actualidade. Está em www.dalvalynch.net na secção de poesias-homenagens.
 
abreijos,
 
Dalva Agne Lynch

 


Na marinha das emoções
 

 
 
 

 

tenho os dedos sobre ti, meu amigo
e as palavras encolhem em porto moniz
onde a água beija o vulcão.
 
numa poncha sacio a sede dos teus olhos
a ver a espuma brincando na areia preta
como infantes em gestos lúdicos.
 
sempre que a ilha me abarca
há um barco à espera de navegar
na marinha das emoções.
 
José Félix
2008.3.26

 

 

  Saudades do JAG

 
 
   




Vi-te no céu e nas nuvens

em cascata pelos penedos

do Fanal para a Ribeira

da Janela dos amores.

Foste a firme sentinela

alertando prà beleza

desta natureza ardente

com que escreveste teus versos

e estiveste presente

em cada passo que dei

descobrindo a nossa terra

mesmo à tua maneira

dizendo mais um poema

escrito azul no mar

para diluir a dor

de nunca mais poder ver-te

na nossa bela Madeira.

 

Navegante



À sombra do arvoredo

Saboreando o sal do mar

Nasceste virado ao o sul

Infinito voando prò horizonte!

E nesse castelo de flores

Erraste sobre as ondas e marés.

Pássaro dominador dos astros,

donatário e senhor

Dessa pérola flutuante

Donde sempre brotaram poemas

Ó alma de navegante!





Ecuménico



Nasceste no mar

Podias ter sido concha

Mas abriste em vento

prò universo inteiro

ecuménico ficaste





Mensagem



Na realidade onde te encontras

Mirando a nossa posição virtual

Estende a mão companheira

E vem, viandante indomável,

Mostrar-nos o rumo certo

Do amor, da fé e camaradagem

Que a todos une numa rede

Semeada e regada por ti,

Onde as flores são mais belas

E mensageira a poesia…





Cavaleiro das palavras



Cascatas de nuvens

Rolam das encostas agrestes…

Tal as tuas palavras

Ricas de tonalidades silvestres

Ao escorrer pelas ribeiras

Como se fossem buganvílias

Delas ganhando a cor

até chegarem ao mar

Deste povo marinheiro

Que ensinaste a marinhar…

Ó Palavras de poeta!

Era tão bom teu poetar…

Que saudades eu tenho de nelas navegar!





joaquim evónio

26 Março 2008

 



 

 

A POESIA DÓI       

Cissa de Oliveira

 

    Como não me voltar um pouco mais pra dentro, se amanhã será o dia que marcará o terceiro ano sem JAG? Ele mesmo, numa ou noutra conversa deixou transparente a maneira natural com que encarava essa “passagem”, não sendo rara a ocorrência de poemas onde tratou desse assunto. Um deles, aliás, egoisticamente eu não posso deixar de citar por ter sido dedicado a mim (Espero que a distância mate. A Poesia dos Calendários 22.10.04). Fatalidade.
 
        Mas o que JAG mais era, nada tinha de triste. Depoimentos de muitos amigos comprovaram a sua maneira alegre e positiva de ser. Redundâncias. Iluminado como o céu da “ilha” em manhãs abertas, trazia em si os vôos dos pássaros que depois poetizava, reinventado assim a própria essência. 
 
        Mas eu me olho e a poesia dói. Dói como na noite em que ele morreu e eu nem sabia mas devo ter intuído porque escrevi: “.. os roseirais se abrem como asas escarlates / quebrando a monotonia dos céus / e uma cidade emerge / quando os teus olhos pousam no anjo que desencadeia em mim/ todos os poemas...” Natural que fosse assim, tínhamos uma espécie sintonia. Afinação.
 
        Recentemente eu escrevi um depoimento a pedido do António Fournier, amigo de JAG de longa data e professor na Universidade de Pisa, Itália. Ele está organizando material para uma publicação em homenagem ao JAG. Confesso que me foi difícil, não pela falta de material já que foi vasta a nossa correspondência, mas porque o susto da separação fez um eco irreparável, tornando penoso o ato de materializar o que na verdade é tão só abstrato... Poesia. 
 
JAG, eu sempre o soube poesia. E poesia só morre, ainda que um pouco, quando a imaginamos apreendida.
 

         Cissa de Oliveira

  28.03.08

 

Leia poemas de JAG no cantinho que eu fiz pra ele no Recanto das Letras:

http://recantodasletras.uol.com.br/autor_textos.php?id=1405

http://64.233.169.104/search?q=cache:o1Pgwl_BMWsJ:members.netmadeira.com/jagoncalves/poesia_calendario/outubro/Outubro_22-espero_que_a_distancia_mate.html+espero+que+a+dist%C3%A2ncia+mate&hl=pt-BR&ct=clnk&cd=1&gl=br

 

 

   
 

 

clique aqui para enviar textos