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ARTE DE DELFOS |
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Edição/Direcção: José António Gonçalves + "A Poesia dos Calendários" II
Fase + MADEIRA/2005 |
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Folha de
Ouro *
NINHO DA
ÁGUIA *
POLÉN DAS ILHAS *
A PLUMA NO ÉDEN
* INÉDITO JAG |
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FOLHA DE OURO
NINHO DA
ÁGUIA *
POLÉN DAS ILHAS *
A PLUMA NO ÉDEN
* INÉDITO JAG
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JOHANN WOLFGANG VON GOETHE
ANELO
Só aos sábios o reveles,
Pois o vulgo zomba logo:
Quero louvar o vivente
Que aspira à morte no fogo.
Na noite - em que te geraram,
Em que geraste - sentiste,
Se calma a luz que alumiava,
Um desconforto bem triste.
Não sofres ficar nas trevas
Onde a sombra se condensa.
E te fascina o desejo
De comunhão mais intensa.
Não te dêm as distâncias,
Ó mariposa! e nas tardes,
Ávida de luz e chama,
Voas para a luz em que ardes.
"Morre e transmuda-te": enquanto
Não cumpres esse destino,
És sobre a terra sombria
Qual sombrio peregrino.
Tradução
MANUEL BANDEIRA
Johann Wolfgang von Goethe
(1749-1832)
(in «Estrela da Vida Inteira»,
Manuel Bandeira - Poesias Reunidas,
Ed. J.O.-José Olympo Editora,
Brasil, 1978)
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Johann Wolfgang von Goethe (1749-1832), poeta alemão, é um dos nomes
mais importantes da literatura alemã. Nasce em Frankfurt e recebe
formação enciclopédica. Em 1765, inicia o curso de Direito da
Universidade de Leipzig, onde escreve suas primeiras poesias. A sua obra
é frequentemente inspirada por factos de sua vida. A paixão pela filha
de um pastor resulta numa série de poesias líricas. O amor pela noiva de
um amigo dá origem à obra pré-romântica Os Sofrimentos do Jovem Werther
(1774), que termina com o suicídio do personagem principal. O grande
sucesso do livro na Europa torna-o conhecido mundialmente. No mesmo ano,
é nomeado ministro do ducado de Weimar, onde se fixa. Nos anos
seguintes, escreve poesias e estuda Ciências Naturais. Em 1784, descobre
o intermaxillare, osso do corpo humano desconhecido pelos anatomistas, e
elabora teses que antecipam a Teoria Darwinista. Em 1786, vai a Roma,
onde transforma em versos a tragédia grega Ifigênia em Táuride (1787).
Escreve cenas de Fausto, obra do romantismo, que começa em 1774 e só
conclui em 1830. Com Fausto , que vende a alma ao diabo em troca de
saber e bens, faz uma metáfora da vida humana.
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NINHO DA ÁGUIA
Folha de
Ouro *
POLÉN DAS ILHAS *
A PLUMA NO ÉDEN
* INÉDITO JAG |
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MARIA TERESA HORTA
FALA SEGUNDO VASCO GONÇALVES
ÀS MULHERES PORTUGUESAS
"(...) Refiro-me sobretudo às mulheres.
As mulheres são muito tímidas, têm medo
de dar as suas ideias. Mas as mulheres
têm uma força enorme dentro delas. Não
vos julgueis inferiores aos homens, exprimi
também as vossas ideias, discuti com os
homens. (...)"
Vasco Gonçalves, Sorefame, 17.5.1975
Refiro-me
sobretudo às mulheres
que exaustas de silêncio
são tímidas no falar
Mas a força que têm
dentro delas
faz do impossível já
seu caminhar...
Não vos julgueis,
mulheres,
inferiores aos homens!
Discuti com eles,
exprimi o que vos
falta:
quem sabe adivinhar quanta
igualdade?
e que justiça...
que lonjura?
Mas dizei também
do muito que vos sobra
de tanto tanto: amor
de dor
e de ternura!
Maria Teresa Horta
(Lisboa, 1937)
(in «Trinta Poemas para 30 Anos de Abril»,
Selecção e prefácio de Urbano Tavares Rodrigues,
com um guache de Vieira da Silva,2004)
*
Maria Teresa Horta, poeta, jornalista e ensaísta, é natural de Lisboa
(1937). Estudou na Faculdade de Letras de Lisboa, enveredando depois
pela carreira jornalística. Dirigiu o ABC Cine-Clube e fez parte do
grupo Poesia 61. Colaborou em jornais e revistas (Diário de Lisboa,
Diário de Notícias, Jornal de Letras e Artes, Hidra 1, entre outros) e
foi chefe de redacção da revista Mulheres. Feminista, publicou, com
Maria Velho da Costa e Isabel Barreno, as Novas Cartas Portuguesas
(1971), cujo conteúdo levou as autoras a tribunal.
A sua obra encontra-se marcada por uma forte tendência de experimentação
e exploração das potencialidades da linguagem, numa escrita impetuosa e
frequentemente sensual. Estreou-se com a obra poética Espelho Inicial
(1960), a que se seguiram, Tatuagem (1961), Cidadelas Submersas (1961),
Verão Coincidente (1962), Amor Habitado (1963), Candelabro (1964),
Jardim de Inverno (1966), Cronista Não é Recado (1967), Minha Senhora de
Mim (1971), Poesia Completa (1983, dois volumes), e as obras de ficção
Ambas as Mãos sobre o Corpo (1970), Ana (1975), A Educação Sentimental
(1975), Os Anjos (1983), Ema (1984), O Transfer (1984), Rosa Sangrenta
(1987), Antologia Política (1994), A Paixão Segundo Constança H. (1994)
e O Destino (1997). Em 1999, lançou a obra A Mãe na Literatura
Portuguesa, constituída por uma longa introdução da autora, depoimentos
de várias individualidades, uma antologia de poesia e prosa de
escritores portugueses e no fim um conjunto de quadras e provérbios,
tudo em torno da temática da mãe.
Em 2001, publica "Minha Senhora de Mim".
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POLÉN DAS ILHAS
Folha de
Ouro *
NINHO DA
ÁGUIA *
A PLUMA NO ÉDEN
* INÉDITO JAG
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DAVID PINTO CORREIA
HOMO VIATOR
homenagem a Fernando Cristóvão
(CEDO A VIDA RETOMA OS LIMITES DA ILHA)
Cedo a vida retoma dos limites da ilha:
a criança dos anos percorridos
volve à casa e ao leito
primeiros
e espera logo o rasto para a fonte
do primordial gesto na noite
sem sequer sair do antigo círculo
e outra vez cândida e velha
ouve o breve vergar do caule
na vidraça
sussurra ainda o lento tremor
do medo
e bebe devagar o chá das manhãs
de insónia.
Cedo encontrará a porta do regresso
cedo habitará o centro da memória.
(NA NOITE CONSTRUÍ A MINHA DÚVIDA)
Na noite construí a minha dúvida e o meu deserto
sem angústias sem certezas
sem horizontes
divulgueia depois as imagens os rituais e os restantes
gestos
para conquistar rumos e plantar
florestas: só
as palavras me guiaram
(in «Homo Viator - Estudos em
homenagem a Fernando Cristóvão»,
Edições Colibri2004)
David Pinto Correia
(Madeira, 1939)
*
David Pinto Correia (n. Funchal, 1939), é Doutorado em Letras
(Literatura Portuguesa) pela Universidade de Lisboa, onde é Professor
Associado de nomeação definitiva. Entre outras funções foi presidente da
Comissão Instaladora da Universidade da Madeira (com atribuições de
Reitor). Tem vastíssima obra no domínio da investigação, nomeadamente da
cultura carolíngia, dirigindo ainda várias publicações e colecções de
índole editorial. É o presidente eleito do Conselho Cultural da
Associação de Escritores da Madeira. Na poesia, publicou "Este Branco
Silêncio" (DRAC, 1991) e "11+1 Poemas e Lugares" (Livros de Cordel, CMF,
2001). Entre outros, tem inédito o livro de poesia "Súbito".
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A PLUMA NO ÉDEN
Folha de
Ouro *
NINHO DA
ÁGUIA *
POLÉN DAS ILHAS *
INÉDITO JAG |
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ALBANO MARTINS
DELFOS
Entrarás em Delfos pela porta
secreta - a da serpente. É esse,
e não outro, o caminho
para o templo. Junto
à pedra
da ara colherás
o ouro exausto
do tempo e o sangue
inútil dos sacrifícios. E
saberás que amor
e morte são
a outra face do mito.
O AURIGA DE DELFOS
É nos seus olhos
húmidos
de baba e de suor
que agora
trotam
os cavalos
despistados
na arena
do tempo.
ANTÍNOO DE DELFOS
1.
O que o mármore
esculpe
escreve-o
a água
em sua turva
caligrafia.
2.
Impassível e nu
como a carne defunta
das estátuas. E
só por isso
igual aos deuses.
Albano Martins
(1930)
(in «Castália e Outros Poemas",
Campo as Letras, 2001)
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Albano Martins nasceu na aldeia do Talhado, no Fundão (1930). É
licenciado em Filologia Clássica pela Faculdade de Letras da
Universidade de Lisboa, tendo sido professor do Ensino Secundário de
1956 a 1976. Em 1980, ingressou nos quadros da Inspecção-Geral do
Ensino, passando à situação de aposentado em 1993. Actualmente, é
professor na Universidade Fernando Pessoa, no Porto. Tem-se dedicado
também à tradução de poetas (gregos do período clássico, italianos,
espanhóis, sul-americanos e palestinianos). Entre os prémios mais
importantes que lhe foram atribuídos, destacam-se o Galardão
Internacional (Chile) «Gabriela Mistral», a Medalha Oskar Nobiling em
1986, Prémio Tradução da Sociedade de Língua Portuguesa em 1987, Prémio
Eça de Queirós de Poesia da Câmara Municipal de Lisboa 1993 e Grande
Prémio da Tradução ATP/Pen Clube Português. Em 50 anos publicou mais de
20 obras. É também tradutor de autores como Pablo Neruda, Giacomo
Leopardi, Ungaretti, Nicholas Guillén.
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INÉDITO JAG
Folha de
Ouro *
NINHO DA
ÁGUIA *
POLÉN DAS ILHAS *
A PLUMA NO ÉDEN
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PIERRE-AUGUSTE RENOIR
Pululam pela casa umas jovens brancas
como jarros, derramando a sua nudez
pelo jardim, no meio de lírios e de rosas.
Riem-se muito, fazem jogos, deitam-se
ao sol, por entre o verde. Uma de cada vez
banha-se na tela de Renoir, onde se espelham
os seus corpos de azulejaria fina, quase anil.
O pintor nem olha directamente para elas;
tem-nas na cabeça, povoando a mente,
conduzindo-as para as suas velhas mãos
«doentes e belíssimas», diria Odilon Redon.
Distraído, com um pincel grosso e sujo de azul,
preso ao pulso e voando com os seus movimentos,
retoca nos intervalos o fundo de uma paisagem
e colore a haste de um cravo, num vaso de flores.
No castelo dos nevoeiros, a artrite reumatóide
avassalou o génio e torna-o ciclista de assento;
a doença explode em vermelho, em amarelos,
em fogo, em laranja, em vulcões de impossíveis
ilusões ótpicas. Recorda Degas, Monet, Cézanne,
sentando-se frente às paredes nuas, das mulheres
e das raparigas posando, de lhes ajeitar os cabelos
e amaciar os corpos, selvagens, puros, berberes.
José António Gonçalves
(inédito.09.03.05)
JAG
http://members.netmadeira.com/jagoncalves/
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Folha de Ouro
*
NINHO DA ÁGUIA *
POLÉN DAS ILHAS
* A PLUMA NO ÉDEN
* INÉDITO JAG
Selecção e
Montagem: JAG |