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José António Gonçalves (de seu nome completo José António de Freitas Gonçalves), natural de S. Martinho, Funchal, 13.06.54 e falecido a 29.03.05, pertenceu aos órgãos directivos da Associação Portuguesa de Escritores (APE) e foi presidente da Associação de Escritores da Madeira (AEM), da qual foi co-fundador (1989).

Publicou os seus primeiros textos na imprensa ainda muito jovem e tornou-se Jornalista profissional em 1971 (Jornal da Madeira), tendo sido co-fundador e dirigente da secção regional do Sindicato dos Jornalistas na Região e da Associação dos Jornalistas da Madeira. Presidiu também, desde 1991, à Associação de Desportos da Madeira. Revelou-se em «O Poeta Faz-se aos Dez Anos», de Maria Alberta Menéres (que lhe dedicou um capítulo do seu livro), em 1973 (Assírio & Alvim). Nesse ano integrou o Caderno de Poesia & Crítica «Movimento (número único, org. A. J. Vieira de Freitas), com António Ramos Rosa, Eugénio de Andrade, Pedro Támen, José Bento, A. J. Vieira de Freitas, José Agostinho Baptista e Gualdino Avelino Rodrigues. Dirigiu nos anos setenta a página literária «Poesia 2000» no «Jornal da Madeira e, em 1993, o «Suplemento Cultura», no «Notícias da Madeira». Coordenou também "O Marcador" no semanário "Areópago".

Fundou e dirigiu várias colecções literárias, com realce para o Movimento «ILHA», com quatro espicilégios editados (1975, 1979, 1991 e 1994, CMF, onde revelou cerca de uma vintena de novos autores madeirenses), os «Cadernos Ilha» (doze números publicados desde 1988), «Prosas da Ilha» (dois números), «A Memória das Palavras» (dois números: «Única», de Dórdio de Guimarães e «A Ilha de Circe», de Natália Correia»), «Livros de Cordel» (dez números, CMF, incluindo poetas da ilha e do Continente português, com realce para Ernesto Rodrigues, Vergílio Alberto Vieira, João Rui de Sousa, José Viale Moutinho, David Pinto Correia e António Ramos Rosa) e criou, mais recentemente, outra, «Terra à Vista», na Editora Regionalista da Madeira «Arguim» (cinco números, incluindo Francisco Fernandes, São Moniz Gouveia e Lília Mata).

Recebeu por duas vezes o Galardão de Mérito Cultural da Região Autónoma da Madeira (1989 e 1994), tendo sido promotor e organizador de diversas iniciativas, desde espectáculos musicais, (trouxe à Madeira a Casa da Comédia, de Filipe Lá Féria, com «A Bela Portuguesa», de Agustina Bessa-Luís), recitais, conferências, Feiras do Livro, com autores como José Saramago, José Manuel Mendes e Fernando Campos, entre outros, «Os Olhares Atlânticos» (um mês de cultura madeirense em Lisboa, Biblioteca Nacional, 1991, com exposições, debates, mostras de pintura, livreiras, musicais, etc.), exposições de poesia ilustrada, assim como acções de divulgação de obras e escritores em escolas e bibliotecas, municipais e da Fundação Calouste Gulbenkian. Escreveu diversos prefácios para livros de autores locais (de A.J.Vieira de Freitas, Dalila Teles Veras, São Moniz Gouveia, Carlos Nogueira Fino, João Luís Aguiar, Francisco Fernandes, João Carlos Abreu, João Dionísio, por exemplo), fez a apresentação pública de inúmeros outros e desenvolveu diversa produção ensaística sobre obras e escritores da Madeira, assim como nacionais e estrangeiros, ao longo dos últimos trinta anos, para além de assinar dezenas de letras para canções gravadas por artistas portugueses, folhetos e catálogos de artistas plásticos e de encartes em discos, assim como produziu, realizou e apresentou variado tipo de programas de rádio de índole cultural nas diferentes estações públicas e privadas da Madeira.

Com Ivo Caldeira seleccionou e concretizou o projecto «O Canto dos Poetas Madeirenses» que assinalou, em 1999, o primeiro aniversário da Rádio TSF na Madeira, reunindo uma dezena de poetas em registo de voz, com o apoio da DRAC-M, num CD amplamente divulgado dentro e fora da Região.

Colaborador literário da imprensa, rádio, televisão (o seu tele-dramático "Ora... O Mar", realizado por Paulo Valente, conquistou, para a RTP-M, o Prémio «Açor de Bronze», no MAT-Festival Internacional de Televisão, Horta, Açores, 1988), escrevendo ainda para o cinema (documentários) e teatro.

A sua obra, num total de quase duas dezenas de livros (sem contar com as antologias) foi comentada, analisada e criticada por autores como Manuel Frias Martins («Dez Anos de Poesia em Portugal – Leitura de uma Década 1974-1984», Editorial Caminho, 1986), Ernesto Rodrigues («Verso e Prosa de Novecentos», Instituto Piaget, 2000), Ramiro Teixeira, Natália Correia, Dórdio Guimarães, Albano Martins, Vergílio Alberto Vieira, João Rui de Sousa, António Fournier, Giampaolo Tonini, Massimo Bussone, Maria Aurora Homem, Francisco Sousa Neves, João David Pinto Correia, Horácio Bento de Gouveia, Alberto Figueira Gomes, Dalila Teles Veras, J. Henrique Santos Barros, Ana Margarida Falcão, José Viale Moutinho, José Laurindo Goes, entre muitos outros. Traduzido em russo, italiano e espanhol, irá ser incluído numa nova antologia do Conto de autores madeirenses a publicar em língua italiana em Pisa, numa organização de António Fournier, na sequência da obra laudatória em poesia que divulgou sobre Giacomo Leopardi, na passagem do seu bi-centenário de nascimento, dedicada ao seu poema «Infinito».

Fundou e orientou as colecções "Ilha", "Cadernos Ilha", "Prosas da Ilha", "Livros de Cordel", "A Memória das Palavras", "Terra à Vista" e "Poéticas de Lav(r)a", onde se integram obras de autores como Natália Correia, António Ramos Rosa, João Rui de Sousa, Dórdio Guimarães, Ernesto Rodrigues, Vergílio Alberto Vieira, Jorge Freitas, A. J. Vieira de Freitas, Dalila Teles Veras, José Viale Moutinho, David Pinto Correia, Maria Aurora Homem, São Moniz Gouveia, Irene Lucília Andrade, Francisco Fernandes, Berta Helena e Lília Mata, entre outros. Produziu com Celso Caires o álbum poético e fotográfico "Raízes de Fernando Nascimento", prefaciado por Maurício Fernandes (1999, ainda inédito).

Obras (principais): "Réstea de Qualquer Coisa" (Crónicas, 1973); "É Madrugada e Sinto" (Poesia, 1974): "Pedra-Revolta" (Funchal, 1975); "20 Textos para Falar de Mim" (Prémio Literatura Leacock/Secretaria Regional do Turismo e Cultura, 1988); "Antologia Verde" (Funchal, 1991); "Os Pássaros Breves" (Posfácio de João Rui de Sousa, Átrio, Lisboa, 1995); "Tem o Poder da Água" (Prefácio de Ernesto Rodrigues, Editorial Éter, Lisboa, 1996); "Noites de Insónia" (Funchal, 1998); "Giacomo Leopardi e o Suave Desprendimento do Infinito" (Prefácio de António Fournier, Funchal, 1999); "À Espera dos Deuses" (Funchal, 1999); "Lembro-me desses Natais (Textos Introdutórios de João Rui de Sousa e Vergílio Alberto Vieira, ilustrações de Maurício Fernandes, Funchal, 2000); "Aventura na Casa dos Livros" (Funchal, 2000); "Esquivas são as Aves" (Funchal, 2001); "Memórias da Casa de Pedra" (nota de Albano Martins, Funchal, 2002); "O Sol na Gaveta" (registo biográfico de João Carlos Abreu, Funchal, 2002); "As Sombras no Arvoredo" (Funchal, 2004), “Arte do Voo” (Prefácio, selecção e notas de António Fournier, Editora Ausência, Colecção Ausência Quebrada, 12; 2005). Para além destes títulos, encontram-se inéditos vários conjuntos poéticos.

Foi agraciado postumamente com  o título de Comendador da Ordem do Infante D. Henrique, pelo Presidente da República  Dr. Sampaio, a 10 de Junho de 2005.

 

 

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Última actualização em 29-03-06

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