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À memória do Poeta
José António Gonçalves
Amavas a palavra.
Como pouco a cantaste
e fizeste
a eterna musa da luz.
Porque sentias a poesia
como um acto de existir ou de morrer
te foste...
E subitamente
a voz dos deuses
se sobrepôs à tua
cantando loas aos mortos.
Quanta vez
não permitiste aos pássaros
a maravilha do canto?!
Não foste a ave liberta
pela mão do sol?!
E ficaste
meteoro incandescente
no rasto
dos poetas que se foram?!
Hoje és soberano do Parnaso
aonde ascendeste
para tertúlias eternas.
Fátima Pitta Dionísio
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