À memória do Poeta

José António Gonçalves
Amavas a palavra.
Como pouco a cantaste
e fizeste
a eterna musa da luz.

Porque sentias a poesia
como um acto de existir ou de morrer
te foste...
E subitamente
a voz dos deuses
se sobrepôs à tua
cantando loas aos mortos.

Quanta vez
não permitiste aos pássaros
a maravilha do canto?!
Não foste a ave liberta
pela mão do sol?!
E ficaste
meteoro incandescente
no rasto
dos poetas que se foram?!

Hoje és soberano do Parnaso
aonde ascendeste
para tertúlias eternas.

 

Fátima Pitta Dionísio
 

 

In Diário de Notícias Funchal, 3 de Abril de 2005