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A PROSA DO
POETA
Busco,
faminto,
a prosa do poeta
a sair do labirinto
ao lusco-fusco.
Nela,
vejo-o sempre
ao espelho,
no Bar do Teatro
ou nas ruas,
velhas,
do Funchal.
Cristalina,
como a mais pura das águas,
ei-la,
que vai chegando,
a conta-gotas,
das gargantas secas
transbordantes
de palavras surdas
que se movem
no teclado.
São murmúrios virtuais
que escondem
o grito
que só tu,
infinitamente poeta,
consegues ouvir.
O poeta não morre,
mas o amigo sim,
com violência,
até renascer.
Castanheira Barros
Coimbra, 17 de Abril de 2005
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