AQUI JAZ UM AMIGO

(Inédito para JAG)




Quando alguém querido parte, repentinamente, ficamos sempre com a sensação que não dissemos a ele tudo que deveríamos ter dito.
É aí que se instala um vazio enorme dentro de nós porque as palavras ficam bloqueadas, impedidas de serem ditas.
Ficamos pensando que deixamos de enaltecer suas qualidades, que fomos omissos num simples bom dia, que deixamos de dar aquela risada gostosa daquela piada meio sem graça que ele contou.
Nada disso tem volta. Somos obrigados a calar tudo na nossa garganta e os pensamentos fluem sem parar.
O coração chora a perda e grita a saudade. O desejo é poder voltar no tempo para pelo menos dizer - eu o quero bem.
Os dias não voltam, as horas só fazem passar e o afeto que existia não morre, só não pode mais ser declarado.
A vida é curta, por mais que imaginemos que não. Tão curta que acabamos deixando mil coisas por fazer e mil coisas por dizer.
Sabe-se lá se a hora de quem queremos bem é hoje ou daqui há dez anos. Sabe-se lá se a nossa hora é daqui a pouco.
Por isso diga tudo que é preciso ser dito a quem faz parte da sua vida. Não deixe palavras e sentimentos lacrados dentro de você, porque no final só restarão flores e uma lápide onde você poderá chorar a dor de uma partida inesperada.

"Aqui jaz um amigo e junto dele a minha tristeza por não ter tido tempo de dizer-lhe tudo que gostaria."

Silvana Duboc

30/03/2005
Brasil
 

 

Funchal, 5 de Abril de 2005