Grita!

 

Grita!
a escuridão
que trazes dentro de ti
Grita!
os cálidos dias que não voltam
os pássaros emudecidos que não cantam
as fontes entorpecidas que não correm
as manhãs adormecidas que não nascem
as noites que habitam o teu espanto
os silêncios que te calam a dor
Grita! Grita! Grita!
por esse sol que em ti se está a pôr...
Grita, o grito mudo dos dias que não correm
e escuta o eco do silêncio:
os pardais cantam indiferentes
ao teu sofrimento sem luar...
as fontes gorgeiam sóis a saltitar
as manhãs riem gargalhadas de cor
as noites tropeçam nas estrelas.
O eco não captou a tua dor!?
na estagnação do insuportável
tudo continua à tua volta!


Marília Gonçalves