O TEMPO DO SOL

Para o José António Gonçalves

 


Não se sabe Quem retirou os vermelhos

das flores alvas,

sabe-se apenas que voou o tempo. Voou demais.

E agora todos os semáforos convidam à parada

– e a pressa – desconhece-se

essa palavra.

O vento desdobra-se em lenços, ainda,

para acudir os olhos antes das chegadas.



Algum tempo haveria

em que eu recolheria do chão todas as luas,

- que caíram à tua partida -

no intento de escrever-te um verso, um poema,

uma homenagem.



Do que eu fiz com as luas, talvez gostasses.

Purpurinas, véus de névoas douradas,

prateadas e lilases, para adoçar

- ou reinventar? – as horas,

e umas cortinas voláteis nas vidraças

das tuas casas, as dos poemas,

para que fossem atravessadas pelo voo dos pássaros.



Límpidas cortinas, olhos de criança alta

estendidos sobre a cidade.

Sonhei contigo:

teria chegado o tempo do Sol

no lençol da madrugada?

Graça maior seria voltar o tempo

e o vermelho,

às tuas flores alvas.



Mas se assim não é que seja o Sol

à meia noite,

esses teus versos que vais repetindo, e eu,

assistindo de pálpebras dormindo.



Cissa de Oliveira




 

 

07.04.05