O Voo do Poeta

Em cada teu poema, em cada verso,
Cada razão indago, e não consigo
Nenhuma que me baste, meu amigo,
P’ra me deixares em dor tão forte imerso.

Em que jardim ou livro ou universo
Escondido, sorrirás ao que te digo,
Dizendo vires, mais tarde, ter comigo,
Fingindo que da morte há um reverso?

Febril, procuro a sorte dum abrigo,
Que me consumo em pranto submerso.
Talvez nalgum conceito de Pessoa,

Fingindo que te finges o inverso
Do poeta que finge que o jazigo
É máscara que usa enquanto voa.
 

Carlos Martins

 

01-04-2005