QUANDO A MENTE BLOQUEIA…


A mente bloqueia

não vê

agua cristalina

nem riacho,

tão só

poluente mamarracho.

Foi-se a lufada de ar fresco

vinda das entranhas

do oceano

sob a forma de poeta .

Foi-se o instinto

foi-se a garra

até a força da amarra .

Barco à deriva

(será jangada ? )

não encontra a Ilha

donde fugiu a semente .

Aos 50

a amizade não mora

ao dobrar da esquina .

Quantos cumprimentos

quantos sorrisos

quantos novos conhecimentos

quantos risos

quantos caminhos percorridos

sem percorrer um quilómetro .

Falta o hábito da morte

para abraçar Aristóteles .

Até lá a dor .

Two beer or not two beer

eis a questão .

Sem palavras,

escrevi Neruda pelo teu punho .

A derradeira mensagem

já não a ouviste

deixaras de estar,

sem avisar,

“ À espera dos Deuses “.

O Diálogo não finda

quando o Amigo se fina .

Se a lágrima manchar

o poema,

ou lá que seja,

não te atormentes

Amigo

pois há força que sobeja

pr’a lutar, pr’a lutar .


Castanheira Barros Coimbra, 3 de Abril de 2005

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