Que poder? Que poder, Poeta e Amigo, que tanta cativa?



Considerando o exposto na edição de ontem no texto de homenagem ao Poeta José António Gonçalves, é nosso dever apostar no reconto das qualidades mencionadas e na divulgação da obra na família, na escola (no âmbito da sala de aula e das actividades de complemento curricular), nas tertúlias, na Feira do Livro, nos meios de comunicação social, na Internet, em todos os sítios onde seja permitido que se leia um POEMA.

Advogamos o conhecimento, o estudo aprofundado de uma escrita poeticamente hercúlea, engrinaldada de paixões, contestatária e amorosamente dócil, mundana e recatada, de disfarces e confidências no rebentamento do desejo, na demanda do eu – outro em noites que expulsam a lua, na urgência de fixar os motivos da ilha – essência que lhe serviram de estímulo, na ânsia de eternidade que reside nos silêncios que, singularmente, os poetas tão bem conhecem.

Hoje (31.3.05) fomos convocados para um encontro contigo. Não faltámos. São sempre de Primavera os teus apelos.

Que importam os predadores da ignorância, do vazio, do desencontro, da solidão?

Permanecemos. Profundamente conscientes. Profundamente determinados.

Recordemos a tua advertência:

“É preciso guardar as palavras/e derramá-las quotidianamente/na paixão encantada/de todas/as conversas.” (in Esquivas são as aves).

Assim faremos.

Regina de Castro e Abreu

 

In Diário de Notícias Funchal, 3 de Abril de 2005