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Amigo José António
Saúde óptima disposição e dinheiro para gastos. Lembras-te?
Sempre foi assim que iniciava os e-mail's que te enviava.
Faz hoje oito dias acompanhava-te, com os demais, à tua última
morada. Hoje e já de volta a Oslo, resolvi enviar-te o meu
último e-mail
Como sabes, não sou homem de escrita, fico pela leitura, logo
não faço a mínima ideia do que sairá daqui.
Recordas-te do nosso encontro no sábado 26 de Março? Como deves
estar recordado, fiquei aquele tempo à tua espera, à porta de
tua casa.
Valeu a companhia da Gilda e da Natacha. E ao estacionarmos na
Ajuda, aquele episódio? O teu silêncio...entendes.
Falamos de tanta coisa. Deste-me a ler aquela carta do Manuel
Machado, continuo a achar a ideia dele uma loucura. Espero que
não tenhas falado do assunto ao
secretário. Não fazia sentido. E logo eu.
Se a memória não me atraiçoa focamos o termos trabalhado juntos
na Papelaria do Colégio. Eu tinha quinze anos e tu uns catorze?
O início da nossa amizade.
Uma vez mais não te levei Akvavit nem charutos. Creio que este
hábito teve o seu termo há dois anos. Lembras-te quando me
dissestes que os médicos te tinham proibido de beber, comer,
fumar e f... Rimos.
De seguida fomos, a teu pedido, dar uma voltinha, que após
insistir "mas onde?", acabaste por decidir Câmara de Lobos.
Provavelmente a última que deste com um amigo.
Ficaste no carro enquanto eu e a Gilda fomos ver a bicharada.
Desculpa aqueles dez minutos de espera.
Aproveito para dirigir-me aos teus amigos, convidando-os por
esta forma a estarem presentes, como rendida homenagem póstuma,
singela e profunda àquele que foi a verdadeira personificação do
Amigo, que tão bem soube firmar e desenvolver o ambiente
adequado a uma camaradagem que se orgulhará sempre da harmonia e
prestígio, que tão simpaticamente o envolviam.
E é, neste sentir eminente, espiritual e evocatório que expresso
o meu, até um dia, quando nos encontrarmos todos para outro
convívio.
Um abraço do amigo
Elmano Correia
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