a claridade da ilha
traz sempre os poetas vivos
na folha sagrada do encantamento.
A lua nascerá hoje com brilho
tão diferente. No terraço das
estrelícias estaremos todos
contigo. O oceano será cada
vez mais curto e a terra cada vez mais
em paz. voaremos para as montanhas,
meu Irmão. As catedrais serão douradas
com as tuas letras.
veremos a chuva de uma carta infinita
a cair do teu coração sem lágrimas secas
e na paciência das estrelas
uma pátria única de palavras
se a tua voz voar da ilha
juro que a abraçarei e a
alimentarei de um verso
longo. toda a amizade se
pronuncia ao longo do mar.
a saudade fica nos barcos
e nos olhares dos poetas
que se despedem.
mas eu não choro, prometo-te.
tenho os olhos dentro de duas luas lisas
e o voo das gaivotas presas a um relâmpago.
Parece-me estranho que a sede
voraz dos riachos continue
a lavar as encostas das montanhas,
que ridículas cartas de amor
- ridículas não são as cartas,
mas as palavras, diria o poeta JAG -
continuem sendo escritas,
que o poeta já não repita o pedido
para que se guardem as heras,
que os pássaros, as casas, as águas,
os silêncios, sejam de outros poemas,
porque alguma coisa mudou na ilha,
do muro verde caíram todas as flores,
eu vi,
ainda assim parece-me absurdo
que elas o encubram...
"assim...em pleno dia?"
Já todas as aves foram ao céu, resmungar,
tecer protestos, formigar os anjos.
Um poeta só cabe na terra.
O fogo criou o vento
que descolou tuas asas
na quietude, um movimento
e no nosso olhar sem lágrimas
a vontade de chover
quando os cristais tocam o fogo da beleza
a morte e a vida se confundem
os poetas não morrem
vivem em cristais
eternos
suas almas perpassam o tempo
e transcendem
como o vapor
aprenderam a abastecer a chama
: no sopro incessante voam.
José Gil, Maria Gomes, Jorge Vicente, Maria Gomes,
Cissa Oliveira, Constantino Alves, Sónia Regina
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