Em memória de... amigos



A vida descreve um ciclo cruel, iniciando-se com a alegria do nascimento e terminando com a dor e a tristeza do desaparecimento. Subitamente, perdi dois homens meus amigos, que ao longo do trajecto da vida somaram virtudes, defeitos, boas acções, incompreensões, êxitos e derrotas...

Pelo meio ficaram as marcas e as pegadas do vosso percurso. O João Avelino Abreu e o José António Gonçalves estão no céu. Onde merecem e onde estão protegidos por Deus. Sei que, em breve, ser-lhes-ão concedidos os privilégios de Anjos da Guarda e assim descerão à terra, para continuarem ajudando e iluminando os Homens.

Avelino, contigo aprendi coisas importantes para a minha vida e mereces que o Atletismo Regional e Nacional não se esqueça de ti. Nunca.Que a tua filha guarde na sua memória a verdade de um Homem Bom.Não pares por aí, ajuda-nos com a tua força e a tua voluntariedade.

Zé António, a tua memória impede-me de escrever o turbilhão de coisas boas, que mereces. Mas vou recordar um ser humano lindo, quente e amigo de verdade. Um coração tão grande,tão grande, que não aguentou mais... Recordo-me de uma noite de pândega no Porto Santo, no decorrer de uma minha colaboração como médico na Volta a Ilha, e onde tu, após um acidente, tinhas o braço direito inoperacional... e toquei viola a meias contigo sem saber tocar... e onde aprendi que as pessoas são mais importantes que o dinheiro ou a posição que ocupam. Tenho orgulho em dizer que fui e sou amigo do Zé António. Não pares por aí, continua perfumando o céu e o ar que respiramos com os teus poemas.

Eugénio Castro Mendonça

 

In Diário de Notícias Funchal, 4 de Abril de 2005