Percebo a minha palavra hesitante e retraída. Vacila o traço a minha escrita, como quem teme caminhar. Talvez eu tenha mesmo lhe designado difícil e dolorosa tarefa, neste dia de hoje, quando Osvaldo postará uma das obras de um poeta singular, que faleceu anteontem – aos 50 anos - em sua casa, na Ilha da Madeira: José António Gonçalves (JAG), assinante desta lista.

Impactada, profundamente triste, confundida por tanta emoção, reclamei com o amigo tão querido: " Ô Jag, por que agora, caramba? Por que não ficar velho como todo mundo?". Mas não tive resposta, ou se foi a dor. E sei que esse terá que ser um luto vivido longamente.

O Jag foi um grande amigo, ainda que tenhamos nos visto apenas uma vez, quando lá na Madeira estivemos trabalhando. Apoio, confiança, valorização, incentivo. Zelo. Admiração. É o que estava no norte dessa relação próxima, apesar de distante. Coisas da internet, do coração. De poetas.

Compartilhamos tantas idéias e projetos, como a Ação de Formação que realizamos com José Felix, José Gil e Jorge Vicente – todos de Portugal - na I Jornada Luso-Brasileira da Escola do Espectador-Encontro de Escritas. Realizada na lha da Madeira de 03 a 11 de outubro de 2003, foi promovida pela Secretaria Regional de Educação da Madeira para comemorar o dia do professor. Foi a primeira... Aceitou trabalhar conosco no Laboratório da Palavra, pensávamos em mais uma edição, a seu cargo. Não deu tempo... Fica a sensação de incompletude e insuficiência, urge criar uma memória.

Foram escritos muitos artigos nos jornais de Portugal e da Ilha da Madeira – JAG pertencia aos órgãos diretivos da Associação Portuguesa de Escritores, era Presidente da Associação de Escritores da Madeira, incentivador da cultura, jornalista, escritor. Publicou quase uma vintena de livros e participou de várias antologias. Foi autor e guionista da RTP-Madeira.

Foram escritos muitos poemas ontem e hoje em nossa casa poética – a Lista Escritas. Alguns integram também o poema coletivo que estamos compondo, por lá. Deixo um deles aqui – do qual sou co-autora - como homenagem ao JAG. A parte é também um todo.

A certeza de que na quietude há movimento me ajuda a crer que os poetas não morrem.

Sonia Regina - Rio de Janeiro, 31 de Março de 2003

 

 

Eu não sei, mas gostaria de saber, por que sempre apaga uma estrela no céu quando falece um poeta? Ou melhor, poeta não falece, permanece constantemente nos corações daqueles que o amam e por ele são amados. JAG, nesta tua viagem, que a luz seja constante a iluminar cada vez mais o teu caminho e, obrigado, por ter dado a nós conhecer a tua luz. Felicidades, amigo, você não morreu, você vive na memória e nos teus poemas.

Osvaldo Pastorelli - São Paulo, 30.3.03

 

 

 

A poesia, ela, continua viva e forte no Universo. Temos mais um aliado lá no céu para continuar a falar dela com o nosso Pai e seus anjos.

Jean-Pierre Barakat - Brasília, 30.3.05
 

 

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