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Passer jaguitus
Eu sempre adorei os pássaros, seja na Ciência ou na Poesia.
Quase me doutorei em Ornitologia mas outras oportunidades por
ocasião da minha mudança de São Paulo para Campinas levaram-me
para a área da Genética e Biologia Molecular.
Lembro-me de que costumava enviar para o nosso poeta JAG umas
aquarelas de pássaros feitas pela minha irmã Salette, artista
plástica, resultado de um levantamento de avifauna que realizei
no Centro Campestre do SESC, em São Paulo, já que é notório nos
poemas dele o seu amor pelos pássaros.
Um dia, numa brincadeira, eu resolvi inventar um pássaro até
então não encontrado em nenhum livro, ou se existe eu não
conheço. E não havendo aquarela, nem foto, nem nada, eu o
descrevi. Não tenho nesse momento a descrição exata porque está
guardada em alguma dessas “cartas” cibernéticas. Sei apenas que
fui generosa nos vários tons de azul e de verde salpicados nas
asas, no branco misturado a um tanto de amarelo no peito, e até
um pouco de ferrugem, nos pés. Delineei em sua cabeça uma
espécie de “coroa”, que segundo determinei, só apareceria na
época da reprodução. Era por causa do tal do dimorfismo sexual,
tão comum aos pássaros e onde o macho geralmente é o mais
bonito. Conferi-lhe uma classificação inteira, que de taxonomia
eu também gosto. Aqui, apenas o género e a espécie do pássaro:
Passer jaguitus. Foi um presente meu pra ele.
O Passer jaguitus se foi, voou para outras paragens e, para a
tristeza nossa, não é este apenas um voo migratório, até porque
o seu território por livre escolha, ele dizia nos poemas, era a
sua amada ilha e tudo o que ali havia. Espero sinceramente que
esteja bem, entre os muitos azuis e luzes, como convém aos
pássaros e aos poetas.
JAG, aceita também umas flores, e entre elas uns preferidos de
Van Gogh. É para que eles troquem muita luz contigo, sempre.
Demais, é a poesia que por aí, e por aqui, vai.
Cissa de Oliveira
01.04.05
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