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NÃO ADIANTA
-- para José António Gonçalves -
Não adianta,
não adianta chorar
pelo poeta que morreu antes do Abril chegar....
Não adianta,
não adianta olhar
para as pernas da miss do Fantoches da Euterpe
a passar...
Não adianta,
não adianta sambar
por um só Carnaval sem saber se o Ano-Novo chegará...
Não adianta,
não adianta saber
se os passageiros nos aeroportos, rodoviárias, ou portos
voltarão...
Não adianta,
não adianta vestir
um turbante na cabeça igual ao dos Filhos de Gandhi...
Não adianta,
não adianta ter cabeça
feita nas obrigações de negros, nas obrigações de brancos
[entrançadas]
ao deus-dará...
Não adianta,
não adianta sorrir
se a cara nova do Farol do Porto da Barra resolver apagar...
Não adianta,
não adianta insistir
quando chagada é a partida do sol da Ave-Maria-da-Tarde
[pôr as malas]
em silencio.
Não adianta,
não adianta mudar
os fatos dos que moram perto ou tarde da Bahia;
Ela, também, um dia,
há de morrer,
sem querer.
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