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O tempo
parou
O pulso que o
relógio afaga cessou.
O ponteiro dos
segundos tenta inutilmente
Avançar, avançar,
avançar – o silêncio é o único que os acompanha.
Nos batimentos em
eco jazem os fios de prata,
Tão corajosamente
esculpidos pelos pensamentos,
Pela força dos
sentimentos e humanos ideais,
Permanecem
macios, quentes, lúcidos – como sempre o foram.
Envolto em névoa
violeta o horizonte é conspurcado,
Arrancado ao seu
verdadeiro significado,
O de estar longe,
longe, longe – fora do alcance dos heróis, dos valentes, dos
imensos castelos da alma.
É exactamente
nessa linha imaginária que o tempo tocou,
Num grunhido
sincopado, num som inanimado, num grito suspirado.
É exactamente
nesse lugar – onde tudo está em suspenso –
Que o tempo parou
– grãos-de-areia que me ferem as mãos até os largar um por um
levando-me os dedos, as mãos, a voz, metade de mim.
Natacha Gonçalves
29 de Março de
2005
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