Pássaro Distante

Nas sombras de um lugar ermo
Jaz, só, prostrado e enfermo,
O exemplar do sepultado.
Haverá uns chorando a dor;
As letras, decerto, o suor
Dos seus partos ora cessado…

As páginas sujas de terra,
Dos pés dos “senhores da guerra”,
Conspurcam gélido caminho.
Meu amigo, que vais embora,
Como em todos, em má hora,
Feito pó, do pão e do vinho.

O meu lamento é desalento
Estorvado por rude vento
Nessa lápide incrustado.
O seu gosto é tão amargo
Que, impotente, o guardo
Junto a cada meu pecado.

Quis ir à última morada,
Concorrida e carregada
De tristeza e poesia.
Mas o manto dos senhores
Poderosos (e assessores)
Infectava a minha via.

Nas sombras de um lugar ermo
Jaz, só, prostrado e enfermo,
O exemplar do sepultado,
Ora estrela cintilante.
És o meu poeta distante
Porque o futuro… é passado.
 

 Abril 01, 2005

 

 

In http://seteoficios.festim.net/