|
"RÉSTIA DE
QUALQUER COISA"
Partiu o José António. Sem aviso, deixou intempestivamente este
lugar que adorava e que viveu intensamente. Ele que era sempre o
último a chegar e o último a partir, desta vez, saiu antes do
tempo.
Sem apego às coisas materiais, a vida pregou-lhe algumas
partidas e incompreensões. A tudo reagiu como fazem os poetas
debitando em folhas brancas as mágoas da existência.
Subiu a pulso na vida e quando estava a atingir o patamar mais
alto resignou-se e conformou-se perante uma comunidade que nem
sempre aceitou a sua forma de ser e de estar. Mas o Zé António
era assim. Gostava de si mas gostava ainda mais dos outros.
Esses outros com menos-valia intelectual e sem o vigor da boa
pena, chegaram mais alto.
No jornalismo, na política ou na cultura procurou ser um
inovador, um dinamizador de iniciativas, um criador. No meio do
turbilhão de coisas em que se meteu deixou passar ao lado a sua
própria carreira. Poderia ter sido muita coisa nesta terra
acabou por ser, simplesmente, o Zé António, o amigo de todos os
momentos.
A ele devo-lhe o incentivo para enveredar pelo jornalismo e,
mais tarde, pela política. Com ele fiz as minhas primeiras
notícias e os primeiros comunicados. Obrigado Zé António e até
um dia, num qualquer "Bar cheirando a Rosas".
José Manuel Rodrigues
|