"RÉSTIA DE QUALQUER COISA"

Partiu o José António. Sem aviso, deixou intempestivamente este lugar que adorava e que viveu intensamente. Ele que era sempre o último a chegar e o último a partir, desta vez, saiu antes do tempo.
Sem apego às coisas materiais, a vida pregou-lhe algumas partidas e incompreensões. A tudo reagiu como fazem os poetas debitando em folhas brancas as mágoas da existência.
Subiu a pulso na vida e quando estava a atingir o patamar mais alto resignou-se e conformou-se perante uma comunidade que nem sempre aceitou a sua forma de ser e de estar. Mas o Zé António era assim. Gostava de si mas gostava ainda mais dos outros. Esses outros com menos-valia intelectual e sem o vigor da boa pena, chegaram mais alto.
No jornalismo, na política ou na cultura procurou ser um inovador, um dinamizador de iniciativas, um criador. No meio do turbilhão de coisas em que se meteu deixou passar ao lado a sua própria carreira. Poderia ter sido muita coisa nesta terra acabou por ser, simplesmente, o Zé António, o amigo de todos os momentos.
A ele devo-lhe o incentivo para enveredar pelo jornalismo e, mais tarde, pela política. Com ele fiz as minhas primeiras notícias e os primeiros comunicados. Obrigado Zé António e até um dia, num qualquer "Bar cheirando a Rosas".


José Manuel Rodrigues

 

In Diário de Notícias Funchal, 31 de Março de 2005