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"Arte do voo" foi lançada

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Esta antologia de
José António Gonçalves foi lançada no dia em que o poeta
teria completado cinquenta e um anos
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Se José António Gonçalves ainda fosse vivo, ontem completaria
cinquenta e um anos de idade. E foi este dia, revestido de
especial significado, que a Editora Ausência, a Direcção
Regional dos Assuntos Culturais (DRAC), e a Câmara Municipal do
Funchal (CMF) escolheram para lançar a antologia poética "Arte
do voo", cuja apresentação esteve a cargo do madeirense António
Fournier, docente na Universidade de Pisa (Itália). Presentes,
estiveram o director da DRAC, João Henrique Silva, a directora
do Departamento de Cultura da CMF, Teresa Brazão, e Marco
Gonçalves, filho do homenageado.
Impossibilitada de estar presente, a escritora Maria Aurora
enviou uma mensagem, que foi lida por António Fournier, e na
qual frisou a intenção de lembrar José António «através da sua
escrita, e senti-lo vivo na correnteza das palavras (...)».
Por seu turno, Fournier considerou «irremediavelmente tardia» a
«prenda de aniversário» que é a nova antologia.
«Antes, havia o poeta, e ninguém lhe fez uma homenagem pública:
hoje, temos a homenagem pública, mas não temos o poeta»,
comentou. Na ausência de José António Gonçalves, disse o orador,
é tempo para «maturidade e reflexão», e para «a colheita da
imensa seara que ele nos deixou».
António Fournier classificou-o como pessoa generosa, irónica e
aberta, de «exuberância afável» cujo valor intrínseco o colocava
muito acima do culto regional dos títulos académicos que os
"senhores doutores" gostam de ostentar. «Ele nunca se sentiu
órfão de si mesmo, porque o José António era sempre e
simplesmente o José António, e não se escondia por detrás de
nenhum título», declarou.
João Henrique Silva, por seu turno, considerou a antologia um
tipo apropriado de publicação, como modo de se efectuar uma
«expurga» e uma selecção do melhor da obra de um escritor.
Uma poesia que se tornou alada
António Fournier, o antologista, revelou ontem que já tinha
entre mãos este projecto há cerca de dois anos. «Esta antologia
não se destinava a ser póstuma, era para ser uma surpresa ao
poeta. Devido a várias vicissitudes, não foi possível publicá-la
antes», explicou. Considerando «uma grande responsabilidade»
estar à altura da memória de José António Gonçalves, Fournier
disse que o livro resulta da percepção que adquiriu de uma
«linha de sentido» na produção poética de José António, desde a
mais precoce à mais recente: a ideia do voo. «É uma poética que
procura encontrar nos pássaros uma espécie de metáfora
configuradora da fuga ao real».
In
Diário de Notícias 14 de Junho de 2005