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Temas de educação, formação, desporto e novas tecnologias Ensinar/Aprender o Português, lá fora... O encontro com as comunidades madeirenses emigrantes é sempre uma fonte de ensinamentos. Dá ideia que, para nos nossos emigrantes, o afastamento do solo pátrio representa um estímulo especial, propício ao desenvolvimento de sentimentos em que impera o regionalismo associado às raízes e à cultura das origens, um sentimento patriótico e uma atenção e respeito redobrados relativamente todos os símbolos regionais e nacionais, entre os quais, a língua portuguesa. O convívio com as comunidades de emigrantes madeirenses constitui, sem dúvida, uma experiência enriquecedora e uma aprendizagem que se recomenda vivamente a quantos exercem, a título seja, funções publicas de responsabilidade. E não falo apenas do convívio ou da visita pessoal, porque hoje em dia inúmeras outras formas de contacto estão disponíveis! Curiosamente, esse afecto em relação à Pátria revela-se também entre aqueles que, possuindo já outra nacionalidade, mantêm – por força das suas raízes paternas – uma curiosidade, diria até um carinho especial, por tudo o que tenha a ver com a essência familiar que, por razões várias foi levada a afastar-se do solo original, mas em que de tal afastamento resultou, porém, um reforço dos laços que os prendiam ao passado. Se, já em anteriores situações de contacto com comunidades madeirenses de emigrantes, tinha chegado a estas conclusões, uma recente visita ao Canadá reforçou-me as convicções a que já tinha chegado antes. Num primeiro momento vi-me confrontado com o folclore madeirense e de outras regiões de Portugal onde os traços de genuinidade, quer da expressão, do movimento ou dos trajes, em nada ficaria a dever aos seus congéneres nacionais, pese embora o facto de alguns dos interpretes não terem nascido em Portugal, território onde nunca estiveram ou mal conhecem. Foi ver (ouvir), por exemplo um CD de Fados de Coimbra, interpretados por um filho de emigrantes Açoreanos (Tony Câmara, 25 anos de idade) que, nunca tendo vivido em Coimbra, assume a alma coimbrã na forma cantada como se lá tivesse passado toda a sua vida. Em boa verdade não poderemos generalizar, pelo menos no que se refere ao cultivo da língua portuguesa. Exemplos há em que o esforço pela integração plena no país de acolhimento levou a que, por efeito e decisão dos primeiros emigrantes, as segundas gerações passassem um largo período em que a principal expressão das origens familiares – a língua portuguesa – tivesse sido abandonada ou menosprezada. A comunicação social de língua portuguesa desempenha ali um papel fundamental, quer se fale de rádio, tv ou jornais. Ainda assim é nosso dever criar linhas de contacto permanente para que a presença de Portugal (e da Madeira em particular) vá mais além do que a repetição das notícias que a internet se encarrega de levar longe. É necessário “pessoalizar” o contacto. E a responsabilidade é nossa, dos que estamos cá! O sentimento de que é necessário re-encontrar os caminhos da língua portuguesa encontram-se em toda a parte e com uma nota comum: sem que livros escritos em português estejam disponíveis e acessíveis à leitura, a prática da língua fica reservada, e nem sempre nas melhores condições de oralidade, ao ambiente familiar. Não obstante, em contacto com a Universidade de Toronto onde tive oportunidade de falar a estudantes de português (de notar que alguns não são, nem descendem de portugueses!) apercebi-me da importante tarefa que o Departamento de Espanhol e Português e, em particular o seu leitorado de Português, - presto a minha homenagem à Drª Manuela Marujo e à Drª Aida Baptista - fazem em prol da língua portuguesa. Outra intervenção de sucesso reside no Consulado-Geral de Portugal em Toronto em cuja sede o Cônsul-Geral, Dr. João Perestrelo, promove habitualmente um conjunto de iniciativas na Galeria Almada Negreiros, que marcam uma constante presença da cultura portuguesa em Toronto. Mas, como referia, o cultivo da língua não se faz só na sua expressão falada. Para além desta, a expressão escrita e a leitura são fundamentais. Foi seguindo esse princípio que entreguei à biblioteca da ‘UofT’ um conjunto de obras que a DRAC, Biblioteca do Teatro/CMF, Associação de Escritores e o CEHA me facultaram. Para além das obras essencialmente relacionadas com a história da Madeira e das Ilhas Atlânticas proporcionadas pelo CEHA, a biblioteca da Universidade de Toronto ficou agora apetrechada com vários exemplares na área da literatura editada na Madeira, com obras de Carlos Machado dos Santos, Carlos Nogueira Fino, Edmundo Bettencourt, Fátima Pita Dionísio, Fernando Jorge Fabião, Fernando Melim, Francisco Gomes, Guilhermina da Luz, Horácio Bento de Gouveia, Irene Lucília Andrade, João Andrade, João Carlos Abreu, João Dionísio, João França, José António Gonçalves, José Leon Machado, José Tolentino de Mendonça, Lília Mata, Manuel Luís Mendes, Maria Aurora Carvalho Homem, Maria Margarida Macedo Silva, Nelson Veríssimo, Orlando Loureiro e São Moniz Gouveia. Um desafio que nos é colocado, a todos a quem na Região Autónoma da Madeira cumpre o dever de difundir a cultivar a língua portuguesa, é de estabelecer parcerias com os clubes e associações de emigrantes, onde quer que estejam no mundo, facultando-lhes um acesso criterioso, mas sistemático, aos livros, particularmente aos que com assinalável frequência vão sendo editados entre nós.
Francisco Fernandes |