Madeira representada em Espanha
 
EXPOSIÇÃO INTERNACIONAL DE ARTE POSTAL
MANIFESTA-SE CONTRA A "MARÉ NEGRA"
 
* José António Gonçalves integra representação de Portugal

 


 
    A Exposição Internacional de Arte Postal, dedicada ao tema "Maré Negra", patente no Instituto "Aquis Celenis", na Galiza, Espanha, conta com a participação de três portugueses, um poeta e dois artistas plásticos, num conjunto de duzentos e sessenta autores, de trinta e seis países e num total de quatrocentas e setenta obras.
    A participação portuguesa foi simbolizada numa selecção de poemas de José António Gonçalves, presidente da Associação de Escritores da Madeira e em trabalhos plásticos de José Jorge Soares e Maria Arceu, tendo a inauguração da mostra ocorrido a dezassete de Maio, Dia Comemorativo das Letras Galegas e prosseguindo aberta ao público até data indeterminada.
    Os poemas de José António Gonçalves, retirados dos seus livros "É Madrugada e Sinto" (1974), "A Crista de Neptuno", in "Ilha 2", 1979), "Vinte Textos para Falar de Mim" (1988), "À Espera dos Deuses" (1999) e "Aventura na Casa dos Livros" (2000), foram editados, numa edição especial da mostra, conjuntamente com os restantes trabalhos, em CD-rom e inseridos num site oficial especialmente concebido para o certame.
    Esta iniciativa, que escolheu como símbolo uma criação de Angela Ibañez, foi valorizada pelos contributos de vultos das artes e das letras internacionais (desde o Mali ao Japão, do Brasil à Alemanha ou aos Estados Unidos da América), entre os quais se destacam Alan Turner, Gustavo Vega, Kajuko Ogawa, Luz Cao, Piero Santi, Antoni Miró, Guenter Hofmann e Artur Carvalho, estando prevista a doação de todo o material a uma organização internacional que se responsabilize pela sua difusão permanente à escala mundial.
    O promotor deste grandioso empreendimento foi o (IES) Instituto Aquis Celenis de Caldas de Reis, da Galiza, Espanha, com a colaboração da Corporación Semiotica Galega, Marta Bosh, Tartarugo, Pedro Gonçalves e Clemente Padín e a coordenação de Lois Gil e Manuel Rosales.
    A temática da "Maré Negra" foi escolhida na sequência do atentado ecológico sofrido pelas costas galegas, provocado pelo afundamento do petroleiro "Prestige", cujas catastróficas consequências se revelaram como um dos mais perturbantes e perigosos acontecimentos da história moderna, a chamar a atenção para uma mais apertada defesa do meio ambiente em todos os pontos do globo, com particular incidência para os oceanos.
    Segundo os organizadores, "os artistas-correio do mundo puderam expressar de novo o seu compromisso estético, ético e político" ao integrarem esta iniciativa, acusando, por outro lado, "a indiferença incompetente das autoridades autonómicas e estatais" de Espanha, pois "os eco-sistemas da costa norte-atlântica e cantábria correm sério perigo".

 

 

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