«José António de Freitas Gonçalves, é autor de
uma poesia onde,
só por si, se ressuma o sentir e
o pensar de uma identidade insular,
credenciando-o, pelo rigor da sua construção e por nela se adivinhar o
poeta, empenhado sem reservas, no caminho da aventura poética (…)».
José Henrique Santos Barros
(Sobre "Réstea de Qualquer Coisa", Jornal da Madeira, 1973)

«Assinale-se a qualidade individual de alguns
poetas (da Madeira) que aguardam, quase
desesperadamente, um tempo de reconhecimento colectivo de acto cultural
(…), sobretudo um novíssimo, cujo nome, se soprarem de feição os ventos
da fortuna, irá deixar as suas marcas na futura poesia portuguesa: José
António de Freitas Gonçalves
(Pedra Revolta)".
Manuel Frias Martins
(in «Dez Anos de Poesia em Portugal», Caminho, 1986)
«Tenho acompanhado durante alguns anos a tua
extraordinária actividade cultural e a tua poesia. Em sociedades
pequenas, sobretudo tão pequenas como as nossas duas Regiões (Madeira e
Açores), só grandes impulsos, grandes terramotos permitem manter viva
uma cultura e aumentar-lhe a qualidade. Fui ficando com a impressão de
que tu és esse terramoto.»
Manuel Machado
(Oslo, 1990)

«José António Gonçalves é um poeta de ímpetos
e de hábitos frugais, um iconoclasta pagânico. É um poeta de intuições e
de saberes e que viaja as suas experiências líricas por facetas
singularmente múltiplas. Distribui-se por temas e abordagens que
perfazem um conjunto quase heteronímico. Poesia tantas vezes
deambulatória e comovida (…), fibrada, recalcada de amor e de instintos,
de súbitos entusiasmos, de instabilidades sofridas e de quanta
generosidade, aquilo a que o grande poeta brasileiro Jorge de Lima
apelidava de poesia gorda, que auto se nutre, que tudo absorve em
si. O poeta está sempre à frente da sua condição limitada de homem
(humana), ultrapassa-o, excede-o».
Dórdio Guimarães, (texto sobre "Tem o
Poder da Água",1996)

«Raras vezes, ao apresentar a julgamento um
balanço de produção poética como este (Antologia Verde, 1991), tão rico,
profuso e coerente, independentemente da insistência ou variedade de
conteúdos e formas, se nos depara o mesmo virtuosismo de admiráveis
metáforas, a mesma plástica reflectora do que constitui a verdadeira
essência poética, toda ela pautada pelo equilíbrio, harmonia e
ponderação».
Ramiro Teixeira
(Primeiro de Janeiro, 1992)

«O naipe de recursos, episódicos ou não,
exibido por José António Gonçalves, enquadra-se bem num estilo de voz e
num testemunho que, recusando ostensivamente qualquer forma de angelismo,
qualquer idealização tendente a iludir a riqueza, o contraditório ou os
embaraços da praxis existencial, tendem a perfazer-se numa
amadurecida simbiose entre a necessária fidelidade ao real e a
transfiguração metafórica com que se supera o excesso simplificante, o
discurso apenas denotativo, a conjugar-se com um despojamento onde
convivem tensão e amplitude referencial, desenvoltura inventiva e
palavra emocionada».
João Rui de Sousa
(in posfácio a «Os Pássaros Breves», 1995)
«Estou a ler o poeta José António Gonçalves. A
abertura, a desenvoltura, a espontaneidade, a autenticidade, o carisma
(a que se junta um profundo sentido da fraternidade com os seres e as
coisas), que encontrei no homem, está aqui, também, no poeta. E é bom,
reconfortante, encontrar assim alguém em que poesia e vida (em que o
poeta e o homem) se harmonizam, se identificam, se completam.
Superiores, muito superiores, em qualidade, estes seus poemas, à maioria
dos que a crítica oficial (a universitária e a outra) nos propõe (nos
impõe), todos os dias, como produtos de primeira qualidade. Trata-se, na
maior parte dos casos, de subprodutos, contaminados, numas vezes, de
literatura (de literatice), outra, de sarro e de babugem.
Prestidigitadores são (assim os vejo pelo menos) muitos dos laureados
poetas da nossa praça. Publique a sua obra, exporte-a para o continente.
Ela acabará por se afirmar, mesmo sem as muletas da crítica. Não
desista».
Albano Martins
(Vila Nova de Gaia, 1999)
«A feição mais consistente em José António
Gonçalves é a de poeta-orador, é o espectáculo, com flagrantes emotivos
dos homens e das coisas, de orador português à luz da História
madeirense, o qual, via modernismo à Álvaro de Campos reivindica um
particular movimento da lírica nacional»
Ernesto Rodrigues
(«Verso e Prosa de Novecentos», Piaget, 2000)

«Sendo José António Gonçalves um poeta
excepcional, não se sabe bem o que dizer senão confirmar a sua qualidade
e, em última instância, nem é preciso na verdade ler o livro («Memórias
da Casa de Pedra») para se saber isso. (…) Os principais estudiosos da
sua obra (…) são unânimes em considerar a sua faceta de homem público e
solidário, generoso na dádiva e voluntarioso no esforço, para descobrir
a sua dimensão de orador, de dinamizador de afectos, de coragem e
dinamismo intelectual (…), (até porque) nos últimos trinta anos,
qualquer experiência literária plural, qualquer iniciativa colectiva que
se realizou nesta terra, teve o seu dedo (…), (com a sua) enorme
criatividade, o seu generoso espírito de iniciativa, inclusive na
descoberta de novos valores (…), (sem o que) o panorama cultural
madeirense, quer em termos de uma consciência de classe por parte dos
escritores locais, quer em relação ao tempo mental de uma comunidade,
normalmente alheia ao fenómeno literário, seria um autêntico deserto. A
sua poesia é a expressão da luta de um homem para não perder a sua
verdadeira voz, a que lhe vem de dentro, o tal percurso da memória de
que fala este livro, a faceta pela qual a sua Rossana, Gilda, se
apaixonou, sem ter que esperar a vida inteira para o descobrir».
António Fournier (Universidade de Pisa, in Clarabóia, Funchal, 2002)
«O livro («Memórias da Casa de Pedra») de José
António Gonçalves reflecte a tão actual miscigenação genológica entre a
narrativa, o drama e a poesia, a qual permite uma maior e mais rápida
empatia da contenção poética com o mundo expansional do leitor (…). No
percurso de «memórias» deste poema narrativo em cantos líricos
– e a preencher o seu espaço físico e mental, literário e poético -,
pode sentir-se, desde o início, a casa como personagem, quer de vivência
social, quer de uma vivência pessoal e intimista que se estende da
infância à idade adulta, num percurso contínuo que determina, apesar dos
separadores gráfico-semânticos, a unidade de uma muito bem sucedida
poética do lugar».
Ana Margarida Falcão
(Teatro Baltazar Dias, 3.1.2003)
"Leiam só este poema do José
António Gonçalves e vejam que criatividade está aqui.
Discursivo, imagético e uma espécie de colagem - collate como dizia
Whitman, Pessoa ou Eliot, nas diversas estrofes, cada uma um
autêntico poema.
É a emoção pura e simples que leva o legente a viajar através da
palavra escrita.
Autênticas sombras no arvoredo num crepúsculo de Turner. Ah! E se eu
gosto da luminosidade
crepuscular de Turner. Parecem auroras!"
José Félix (Texto sobre as Sombras no Revoredo, 9.3.2004)