OS FIGOS

 

Colheram-se ontem

os figos doces dos seios

da mulher que se perdia

nas esquinas

das ruas abandonadas ao amor.

 

Provei-os.

 

Encontrei-a hoje pela manhã

desfazendo-se em beijos

no asfalto frio

ainda com a face

plena

de rubor.

 

José António Gonçalves

(in "Esquivas São as Aves", Col. Cadernos Ilha, nº. 11,

Ed. Correio da Madeira, 2001)

 
 

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