UM DOS CAPÍTULOS
Ainda te falta
dizer isto: que nem tudo
o que veio
chegou por acaso. Que há
flores que de ti
dependem, que foste
tu que deixaste
algumas lâmpadas
acesas. Que há
na brancura
do papel alguns
sinais de tinta
indecifráveis. E
que esse
é apenas
um dos capítulos do livro
em que tudo
se lê e nada
está escrito.
Albano Martins
(in "Assim são as Algas"
- 50 Anos de Vida Literária;
Campo das Letras, 2000)
***
- EDIÇÃO ESPECIAL-
DIA
INTERNACIONAL
DA MULHER
JOÃO RUI DE SOUSA
AMO TANTO O AMOR COMO A AMADA...
Amo tanto o amor como a amada
sombra que certo dia se esvaiu...
Exausto às vezes, prestes a ser ave
sem ter lume, fósforo sem pavio,
amo tanto o amor como a amada
esfinge, submersa (e cauta) no vazio
de se exaurir para sempre na rajada
dum cavalo ardente em rumor de rio.
Amo tanto o amor como a amada
luz que, trémula, nos confins do escuro,
tão depressa é deserto como é mosto,
tão depressa é dormência como é viva
impulsão de dança, fogo posto
de medusa vibrante, embora esquiva.
(in "Sonetos de Cogitação e Êxtase", Átrio, 1994;
"Obra Poética - 1960-2000", Dom Quixote, 2002)
***
(Ernesto Rodrigues, ao centro;
à esq., JAG e Vergílio Alberto
Vieira; à direita, João Rui de
Sousa e David Pinto Correia; clicar)
ERNESTO RODRIGUES
TORMENTA
Chego ao quarto; penso: "Que bom não
era, Amor, deitar-me a teu lado,
beijo num beijo, dando-nos a mão,
múrmuros: 'Minha amada', 'Meu amado'."
Chego, porém, ao quarto, e ninguém;
fora, tormenta sobre o mar. Assim,
perto de ti, não posso ver-te, nem
ser quem fui, longe que ficas de mim.
Não; não sei, não. Sem tua vida clara,
tão desejoso de não sofrer mais,
creio dever calar, ir, olhar para
dentro, nas tintas se vens, falas, cais.
Sofre por uma só noite, oceano!
Vento, não faças mal à Dor que amo!
ERNESTO RODRIGUES
(in "Ilhas Novas",
Colecção Livros de Cordel, 2,
Direcção de José António Gonçalves,
CMF, Madeira, 1998)
***
ISABEL AGUIAR BARCELOS
A MÃE É UMA MENINA COM TRANÇAS A FAZER CASTELOS NA AREIA
a mãe é uma menina com tranças a fazer castelos na areia
giroflé, giroflá, giroflé, flé, flá, a criança abraçou o limão e os
dois tiveram o mesmo sonho e a dormir dançaram uma valsa de Viena
sobre a areia escura da praia. os grãos de areia magoavam nos pés
porque eram ásperos e ninguém os conseguia tirar de dentro da bainha
dos vestidos
a criança tinha um balde de brincar e uma pá para construir castelos
na areia molhada e depois uma onda mais forte desmanchava-os e ela
ficava aos soluços fundos a pensar que o mar ia levar a mãe
no sonho a noite estava incrustada de vidrinhos às cores para não
fazer muito escuro.
ISABEL AGUIAR BARCELOS
(in "Nunca se Regressa ao Mesmo Lugar", edições quasi, 2003)
***
CABRAL DO NASCIMENTO
IRMÃ
Não te cheguei a conhecer.
Mas vive sempre em mim
A saudade das horas em que não brincámos
Correndo juntos no jardim.
Tenho o sabor dos beijos que jamais me deste.
Guardo o calor da tua mão, que não senti.
E conservo no ouvido a tua voz pueril
Que nunca ouvi.
Tua imensa ternura de criança
Me acompanha na vida. E, se te choro assim,
É de uma dor que por não ter principiado
Não poderá ter fim.
CABRAL DO NASCIMENTO
(in Digressão", 1953; "Obra Poética", Asa, 2003)
***
DAVID PINTO CORREIA
(David Pinto Correia, ao centro;
JAG à esq. e José Fèlix, direita)
SEMPRE QUE VENHO AOS JARDINS DA GULBENKIAN
Sempre que venho aos jardins da Gulbenkian
escrevo poesia e a relva
não é mais descanso é a exactidão
alicerce vivo da cristalina
face
que combato pedra a pedra
entre o murmúrio e o espaço da manhã.
Sempre que venho aos jardins da Gulbenkian
penso que não mereço a tua face:
o júbilo da margem branca destrói
a geometria dos meus nervos
cansados
e aqui me rejeito doloroso
sonho recorte azul neste horizonte
oblíquo e simétrico.
Sempre que venho aos jardins da Gulbenkian
pela hora jovem as águas escorrem
do teu sorriso e tua decisão inventa-me
exacto
na erva rente ao ventre:
no ar revolvo os gestos do passado
e os cactos coincidem com o fogo
das esquinas e com a língua
súbita da terra:
sempre que venho aos jardins da Gulbenkian.
(para David Mourão-Ferreira)
(in "Este Branco Silêncio", DRAC, 1991)
***
FÁTIMA PITTA DIONÍSIO
Ao poeta Eugénio de Andrade
A ternura corre como um rio
para as origens do verso e do amor.
E não tem foz.
Continua leve e densa
pelas passagens do corpo.
Não há voz para descrevê-la como fonte
nem beijo que a condense
porque é água
para manter o ritmo ao coração
onde se perde ou recupera o sentimento.
Remoto refúgio
para um labirinto de sombras
é livre de cantar.
E canta.
FÁTIMA PITTA DIONÍSIO
(in "Edifiquei-te uma Ilha", DRAC-1989)
***
(Luís Viveiros, Paula
Viveiros, José Agostinho
Baptista, JAG e Firmino
Mendes; clicar)
LUÍS VIVEIROS
A MÃE
Tu que observas
saberás a braveza do azul
seu acume de cristal e distância?
Olhas para dentro de ti
e tens a mãe tão perto protectora
viva nessa ilha de dorido deslumbrar
Aí ela ausculta os ventos
demove os véus do mar
ao ver-te longe entristece
Que sentida é sua tristeza
imensa seiva de ternura
a inundar-te eternamente
(in "Poeira dos Dias", Instituto Piaget, 1998).
***
SÃO MONIZ DE GOUVEIA
CHORO DE CANAVIAL
e canto o poio e a invernia e canto o tinto sobre o pão
e canto o canto da sereia e a madrugada do joão
e canto o povo de outros dias a fome dura e sem farinha
e canto as armas como foices e os barões e os morgados
e canto o chão e o socalco e canto a cana e o vilão
e canto a morte e canto a cheia e a ribeira e a canção
do pescador no temporal e a senhora dos milagres
que só por um fez arraial
(in "A Musa das Coisas Pequenas",
Colecção Terra à Vista, 2,
Arguim-Madeira, 2002)
***
JOSÉ AGOSTINHO BAPTISTA
APELO
Vem,
pelas altas sendas da terra, minha amada,
traz a magnólia dos paraísos perdidos,
e na garganta altiva um colar de orvalho
e âmbar,
vem, antes que seja tarde e
o tigre venha banhar-se na água azul dos
teus lagos,
resguarda o jasmim do teu corpo,
as suas doces colinas semeadas,
vem,
agora que já canta o invisível pássaro do
poema e das estrelas,
agora que estou só
no cais dos dias atlânticos e longos,
vem,
embarca neste veleiro que parte,
ninguém sabe para onde,
levando os teus olhos tristes que não
voltarei a ver.
JOSÉ AGOSTINHO BAPTISTA
(in "Anjos Caídos", Assírio & Alvim", 2003)
***
IRENE LUCÍLIA ANDRADE
De ti quase nada sei
senão que
ao perpétuo recomeço do sexto dia
nas semanas de junho
as calçadas e o sol pesam-te
no saco das compras.
Se à volta das cerejas
verdeja a humidade da alface
sei
que o teu cansaço
se desfolhará
ao impulso sôfrego
das horas da fome
no fundo da saliva
por detrás da praga
e do beijo.
Às vezes a canção
forja uma alegria vingativa
e o amor escorre
pela roupa lavada
gota seminal
ou lágrima engolida
e também acontece
uma mordaça no estômago
quando o filho adoece.
O folhetim televisivo
mergulha-te o desejo fácil
em sonhos consentidos
deles fazes a ogiva do esquecimento
a invenção sem remorso
da tua fogosa duplicidade
e a conversa da janela traseira
dispersa-te o bocejo
ao fim da tarde
quando a casa está pronta
e o filho já não tem febre.
IRENE LUCÍLIA ANDRADE
(in "A Mão Que Amansa os Frutos";
prefácio de David Pinto Correia,
Edição de José António Gonçalves,
Colecção Cadernos Ilha, 4, Madeira, 1990)
***
A. J. VIEIRA DE FREITAS
NA MINHA MÃO
Na minha mão
uma estrela branca
talvez a flor do jardim
a borboleta azul.
Na minha mão
cabe o mundo todo:
rios, árvores e lagos.
Na minha mão
cabe o sorriso novo
da minha mãe.
A. J. VIEIRA DE FREITAS
(in "14 Poemas Inéditos",
Colecção Cadernos Ilha, 2,
Direcção, Prefácio e Edição
de José António Gonçalves,
Madeira, 1988)
***
(Vamberto Freitas, Lopes Filho, Adelaide
Baptista e Maria Aurora Homem)
MARIA AURORA HOMEM
percorres-me
hálito de mente e vinho doce
à descoberta da levada fresca
que rompe do gume das pernas
cicias-me
harpa de ervas e alecrim
a embalar o êxtase
a desdobrar o gesto
a desbravar silêncios
em cais
(desfeito)
no eco do grito
MARIA AURORA HOMEM
(in "12 Textos de Desejo",
Livros de Cordel, 11,
CMF, Madeira, 2003)
***
(João Dionísio, quinto à
direita, entre Maria Aurora
e JAG. À esq. Carlos Nogueira
Fino, João David Pinto Correia
e João Carlos Abreu - clicar)
JOÃO DIONÍSIO
com uma liquidez ao longo da memória baía numa circular de terra por
onde luís de camões e as tágides canto quinto e os lusíadas numa
inseparabilidade EU VOU um homem na terrestre baía com a poética
liquidez da memória
junto às árvores na luz da manhã de abril a chuva o frio mais
depressa os nossos passos na parte circular da baía da cidade do
funchal a alguns instantes do mar na apreciação do movimento das
suas ondas sob os círculos cada vez mais pequenos das gaivotas uns
círculos de fumo
quando falamos as palavras condensam-se no ar em bolas de água
transparentes e brilhantes e sobem até às folhas verdes das árvores
e suspendem-se nos ramos como aves intactas
JOÃO DIONÍSIO
(in "Os Construtores da Memória",
Colecção Livros de Cordel, 5,
Direcção de José António Gonçalves,
MadeirA, CMF, 2000)
***
JOSÉ VIALE MOUTINHO
À Luísa Villalta
levou a mão à boca, ocultando
as primeiras letras de um grito
prolongado e triste, de um grito
de asas da cor do tempo, a mão
que sufoca. era uma mulher
angustiada que andava perdida
por ali. um giz, um livro, a tarde
recortada como um relógio, vazia.
tinha a palavra na boca, humedecia
a palavra, tocava-a com os dedos,
deitava a palavra na língua, o tempo
preso na boca do relógio, vazia a tarde
da cor das letras, como as asas de um grito
insuportável, sufocado, oco, angustiado,
sem ter mesmo nada para dizer.
JOSÉ VIALE MOUTINHO
(in "Poemas Tristes", Colecção Livros de Cordel, 8,
Direcção de José António Gonçalves, CMF, 2001)
***
DALILA TELES VERAS
VIUVEZ SEM ESPERA
Negras, as mulheres
nos verdes campos
ceifam a cor.
Curvas as foices
cortando ervas
côncavas as enxadas
cavando dores.
Negras e curvas, as mulheres
adubam com nénias a terra
em definitiva viuvez.
DALILA TELES VERAS
(in "Madeira: Do Vinho à Saudade",
Colecção Cadernos Ilha, 3, Direcção,
Prefácio e Edição de José António
Gonçalves, Madeira, 1989)
***
JOSÉ BAPTISTA FERNANDES
O CORAÇÃO
RENASCE AQUI
AGONIADO
NA GARGANTA
O SOL
DA MANHÃ
CANTA
A FLOR
PERFUMADA
DESENHA O GESTO
ACROBÁTICO
DESSA MÃO
AMADA
PROCURO
A VERDADE DAS FRASES
OS TEUS OLHOS
POUSADOS
NO SILÊNCIO
DEDOS
ABRAÇAM PASSOS
DE MISTÉRIO
A MONTANHA DE
PALAVRAS
ACARICIA O CORPO
DA TARDE
JOSÉ BAPTISTA FERNANDES
(in "Estilhaços", E. de A., Madeira, 1995)
***
CARLOS NOGUEIRA FINO
o meu amor é o que reparte comigo as colinas brancas
o que sobe a razão do meu silêncio de musgo
é madrugada por saber comigo as últimas corolas
trazidas pelas águas
por deslizar as mãos em direcção às árvores
no íntimo dos sulcos animais das sombras
o meu amor individualiza-me
do profundo aroma de coisas fragmentadas
no lugar onde crescem intensas lâminas terrestres
CARLOS NOGUEIRA FINO
(in "Contemplação do Olhar",
Colecção Cadernos Ilha, 6,
Direcção, Prefácio e Edição de
José António Gonçalves,
Madeira, 1992)
***
JOSÉ LAURINDO LEAL DE GÓIS
O AMOR
No vértice da casa está o prato
com o leite e as migas. Uma renda
de silêncio. Um fogo baixo rente ao mar.
No ventre o amor. Os prismas de mil faces
cujos sentidos roçam o fingimento. Ou
o nocturno esquecimento do rosto pousado
nas linhas de sombra das tílias
junto à janela.
JOSÉ LAURINDO LEAL DE GÓIS
(in "O Fogo e a Lágrima",
Colecção Autores da Madeira,
Campo das Letras, 2003)
***
(Foto: DN/Funchal)
JOÃO CARLOS ABREU
CHINA
(A criança perdida na multidão, corria nas ruas de Cantão
desordenadamente. Mesmo sem conhecer o chinês, abeirei-me dela e os
seus olhos tristes, profundamente tristes, atiraram-me para a
confusão de gentes andando à pressa. Nada poderia fazer. Abracei-a,
limpei-lhe as lágrimas. Deixei-me perder naquele mar humano e saí
combalido do mercado, onde não voltarei mais)
aquela
magnólia
arquivada
no coração
do tempo
floriu
inesperadamente
para reviver
a
história
dos
desenganos
perdida
nas pedras
negras
de
uma
praia
deserta
a criança
infeliz
escondeu
nos olhos
o
reflexo
da
luz
de
repente
um raio
iluminou
o
rosto
que
os anos
arquivaram
no coração
a imagem
da mãe
desconhecida
surgiu
nessa
luz
e
a
criança
chorou...
JOÃO CARLOS ABREU
(in "A Barca Sem Rumo", E. de A., Madeira, 2001)
***
JOSÉ TOLENTINO MENDONÇA
A RAPARIGA DE PROVIDENCE
Talvez o contexto nos defina
se assim for esta velha casa esguia
coberta de hera, com as janelas cerradas
na Piazza San Salvatore, em Roma
mantém tudo o que resta
um nome arde tanto
de repente todos os caminhos parecem de regresso
a vida por si mesma não se pode escutar demasiado
a vida é uma questão de tempo
um sopro ainda frágil
a rapariga desce à pequena praça,
compra uma flor para ter na mão
uma forma intemporal de conservar
a perfeição ou a incerteza do amor
JOSÉ TOLENTINO MENDONÇA
(in "De Igual para Igual",
Assírio & Alvim, 2001)
***
EDMUNDO DE BETTENCOURT
BUCÓLICA
Era o momento em que ela, sem olhos e sem fala, vinha de novo
percorrer o caminho, desenhado a luz, na colina do ar negro líquido.
Em frente, o estremecer que ela buscava era fosforescência no mais
alto da bruma.
E em volta juntavam-se peixes roendo raízes suspensas...
enquanto a mudez das aves todas marcava no momento sulcos fundos
inefáveis.
EDMUNDO DE BETTENCOURT
(in "Poemas Surdos",
Assírio & Alvim, 1981)
***
HERBERTO HELDER
DO MUNDO
A uma devagarosa mulher com cinco dedos potentes
apontados
ao risco no peito por onde corre a luz,
e o sobressalta, e os outros cinco dedos
contra
respiração e voz compacta.
O tamanho do ar traz então pelos crivos
de dentro para fora os elementos.
Coando a espessura da palavra,
aferindo-lhe a força através de abdómen e diafragma,
os pulmões, os brônquios, traqueia, a glote,
palato, e dentes, língua,
o côncavo da boca.
Essa palavra encharcada em baba, que devia ser um canto,
uma ventania do corpo.
E no peito estremece o risco de água.
A uma devagarosa mulher no mundo.
HERBERTO HELDER
(in "Do Mundo", Assírio & Alvim, 1994)
***
Um poema inédito
de
José António Gonçalves
MÃE NÃO SE ESCREVE COM AS LETRAS DE UM RIO
eu sabia que mãe não se escreve
com as letras da palavra rio.
eu sabia que nem sequer
há outra palavra
com o mesmo significado
da palavra mãe.
da palavra mulher.
nem da palavra rio.
eu sabia e suspirava
como a espuma do mar
sempre que banha a praia
o calhau vulcânico
o olhar vidrado do peixe
o voo da sumaúma
ou o breve feixe de luz
ainda resistente no candeeiro
a petróleo
nas noites de tempestade.
a mãe entrava na casa
com as mãos
visitava-me
e a todos os meus irmãos
e vencia o escuro
sem acender o tempo a lamparina
andando com o sussurrar das despedidas
para não acordar
mais ninguém.
eu sabia. como sabia ouvir.
- até amanhã meus filhos.
já rezaram e pediram por todos
e pelo pai e pelos pobrezinhos
e pelos doentes e pelos vizinhos
pela senhora professora
pelas tias velhas
e pelo mano na guerra?
oh, esperem,
estão ouvindo a chuva
a bater nas telhas?
não vos cheira a terra?
deixem-me dar um beijo
a cada um. rezaram por todos
ou ainda falta alguém?
vejam lá. cubram-se bem.
lá fora ainda chove. faz frio.
- até amanhã, mãe.
fique descansada.
também rezamos por si,
não falta ninguém.
eu sabia. eu sempre soube
que a palavra mãe
não se escreve com as letras
da palavra rio.
José António Gonçalves
(inédito. 8.3.04)