um poema para carlos paredes
(e para o meu amigo josé antónio gonçalves
que faz de uma ilha um autêntico universo marítimo)



a navegação luminosa dos sons da água.

quilhas envelhecidas traçam cartas
na marinhagem do cruzeiro do sul
e longe a espuma espraia-se na areia

são os acordes. soltam-se dos dedos
com o mergulho dos peixes na praia-mar
com os náufragos
os esqueletos dos navios
e das palavras surdas no eco das pedras
nascem sereias no caminho do vento.

lácio perfeito na forma da guitarra
pranto e alegria no regresso da viagem
que vem que vai e acena
como asas de gaivotas
que pousam e bebem o sol na proa do olhar.

é longe. é perto.
os olhos fixam a navegação -
movimento perpétuo de um fado
nas ondas sétimas de uma guitarra.

josé félix


 

 

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