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TERRA À VISTA! ao José António Gonçalves
Voltar a onde não estive (ou estive?). Voltar à luz dos plátanos e ao íntimo da sombra (a minha, a mais bravia). Voltar à pedra quente, ao chão desconhecido que em mim - ao menos pela névoa - eu conhecia.
Voltar a estas flores e ao circundante azul onde não estive (ou estive?). Voltar a estas cores que se moviam em gotas de deslumbre, partículas de um ardor que cresce e cresce como se por ele ornasse o rosto com o majestoso sol dos melhores dias.
Voltar. Voltar a onde não estive (ou estive?). Voltar à redondez de escuros seixos, à sólida postura das palmeiras, ao ocre destas casas cintilantes e ao vago zumbido de animais faustosos, retumbantes - com rosáceas no dorso e o sonho por sentido.
JOÃO RUI DE SOUSA
(in "João Rui de Sousa - Obra Poética 1960-2000", prefácio de Fernando J. B. Martinho, Edições Dom Quixote, 2002; in "Concisa Instrução aos Nautas", Col. Livos de Cordel, nº. 4, CMF, 1999).
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