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Um ano de saudade |
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Foi
há um ano. A 29 de Março JAG projectou-se para um voo eterno rumo a destino incerto. Ficamos todos manietados a olhar para o horizonte compenetrados na sua vastidão. Para trás deixou muitas saudades qual emigrante em busca de novos sonhos, deixando os seus, presos à mágoa da separação. Há quem encontre na leitura uma forma de aproximação ao poeta ido. Outros escrevem-lhe. Aqui ficam alguns testemunhos.
Pai, queremos-te muito. M.G.
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SAUDADE escrevo-te só para lembrar nesta distância oceânica como a saudade sabe a mar (JAG)
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Obrigado, José António Gonçalves |
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Um ano chega para perceber que o espaço e o tempo nada podem
contra a força vulcânica da tua Alma, poeta Amigo . |
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poeta alado (um ano após a partida de JAG) |
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Você não morreu |
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Abro os olhos, o dia deve estar lindo, uma fresta de luz ganha alma
gêmea num reflexo do espelho do quarto, o dia deve estar lindo e eu
jamais pensara nisso, é esquisito, o que será que ele faz, estaria ao
sol, escrevendo um poema, um poetrix, quem sabe, falando em passarinho,
em infância, num olhar querido e há muito perdido na poeira da estrada,
no cheiro da sopa de legumes, em casas de pedra, num colo de avó, em
Pessoa, Ezra Pound, Natália, Oscar Wilde, Whitman, na água dos olhos da
amada, na cor do vento, numa explosão do amor, nos silvados, não sei,
mas por algum desses motivos é que o dia deve estar lindo, da cor de um
papel desenhado com palavras boas, e eu paralisada, alguma coisa aqui,
na minha mente, o que será que ele faz, o dia deve estar lindo, eu
insisto sem querer, em pensar no que será que ele faz, na manhã da
quarta, trinta de março de dois mil e cinco, eu me levanto, me enfeito,
bebo café, ligo o computador, penso se acaso eu abrisse a janela, a alma
gêmea do reflexo se expandiria ou se extinguiria, isso talvez dependa do
ponto de vista, o dia deve estar lindo, eu vou fazer o seguinte,
escrever um poema falando disso, o dia deve estar lindo, é esquisito,
não sei porque eu cismo, é um ciclo, eu penso nele, no que será que ele
faz, encolhe-se a lindeza, a luz dói nos olhos como uma personagem de um
drama inexistente ou insolúvel, ausente, tal a tela do computador, está
silencioso o dia, várias mensagens, nenhuma dele, no assunto o amigo
diz, “o amigo JAG”, ali informa, morreu o amigo JAG, ontem de madrugada,
é mentira, enfadado com a politicagem e com a perturbação da paz
adormecida no coração das laranjas, ele disse “dia desses, me esfumaço;
não te assustes", deve ser mentira, ele não morreu, você não morreu,
viu, JAG, desculpe desmascará-lo em pleno aniversário não sei bem do
que, nem se existia dia lindo pois só o vácuo, onde talvez com uma
mágica se conseguiria escrever as palavras “perdão por ir embora”, ficou
no seu lugar.
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A MONODIA DOS SINOS |
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