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Origem ...
O cão
foi o primeiro animal a ser domesticado. O homem dava ao cão abrigo e comida, e
o cão protegia o homem - uma produtiva relação para ambos.
A partir deste ponto, o homem foi seleccionando o cão para as diversas funções,
uns para a caça, outros para protecção, outros para a guarda de rebanhos, que
é o caso do Cão da Serra da Estrela. O Cão da Serra da Estrela,
tal como os outros mastins da Península Ibérica são descendentes dos molossos
da Ásia Central, e que a partir destes cães seleccionaram as diferentes raças
de molossos hoje existentes. Salienta-se no entanto a semelhança entre todos os
cães montanha, especialmente no caso do Cão da Serra da Estrela o Cão Pastor
do Caucaso e o Sparlinac.
A Serra da Estrela é a mais alta de Portugal com 1981metros, e era, e
ainda o é um excelente habitat para o lobo ibérico ( naquela altura muito
frequentes, hoje em dia infelizmente muito menos), ursos pardos (hoje em dia
extintos) e raposas. Os pastores daquela serra, gente pobre, que se faziam com
os rebanhos á pastagens mais altas, eram frequentemente atacados por alcateias
de lobos. Estes pastores precisavam de um grande cão de protecção que
protegesse o rebanho e o pastor contra tais predadores. Este cão teria de ter
um físico imponente que lhe permitisse lutar e vencer as lutas mas ao mesmo
empo um corpo com agilidade suficiente para correr livremente, uma inteligência
excepcional, uma resistência física impressionante que lhe permitisse
enfrentar o duro tempo daquela serra e uma saúde de ferro ( pois não havia
medicamentos disponíveis naquela altura). Este cão foi sujeito a dois tipos de
selecção, a humana
onde os pastores cruzavam os cães que lhe pareciam melhor, e a
natural
pois só os cães mais fortes conseguiam sobreviver.

Desenvolveram-se dois tipos de pêlo : o comprido e o curto. O curto era mais
comum na região de Manteiga, lado sul, enquanto o de pelo comprido
era mais comum do lado norte em Seia e Gouveia.
Os
pastores costumavam colocar nestes cães uma coleiras com bicos de forma a
proteger o pescoço dos ataques, e por vezes, também se cortavam as orelhas
para evitar ferimentos futuros, e para melhor rendimento, trabalhavam em grupos
de 2 até 6 exemplares.
Este cão saia de manhã com o pastor e o rebanho dirigindo-se para as
pastagens. Durante esta travessia e enquanto o rebanho descansava, o cão
vigiava-as patrulhando o território circundante, e deitando num lugar elevado
onde pudesse observar o rebanho. Por vezes o pastor tinha que ir á aldeia, ou a
casa, deixando o rebanho nas pastagens entregue aos cães, por durante dias.

Se o rebanho fosse para casa ao fim do dia, o cão acompanharia o rebanho sempre
atento a qualquer perigo. Em casa dormia com o rebanho ou perto deste vigiando-o
e ao mesmo tempo vigiando a casa do pastor, e se necessário servindo de
brinquedo para os filhos deste.
Por
vezes servia também puxar pequenos carrinhos com mercadorias ( leite,
queijo...)
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